palacio do bom conselho - sede da prefeitura de taubatéFoto: Palácio do Bom Conselho - Sede da Prefeitura de Taubaté
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O portal Inside realizou uma pesquisa de opinião pública sobre a administração municipal de Taubaté, por meio de formulário online que ficou disponível até Julho de 2026. O levantamento não tem caráter eleitoral. O objetivo foi mapear a percepção de quem se dispôs a responder sobre serviços públicos, impostos, atuação do Executivo e do Legislativo, sem vínculo com qualquer campanha, partido ou candidatura.

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O formulário online reuniu 125 respostas válidas. Os participantes avaliaram dez áreas de políticas públicas em escala de 1 a 10, responderam sobre a avaliação geral do mandato do prefeito Sérgio Victor (NOVO), apontaram secretários e vereadores que, na visão deles, se destacavam (ou não) e informaram dados de perfil, como bairro, idade, escolaridade, gênero, profissão e autoidentificação ideológica.

É importante deixar claro desde o início: trata-se de uma amostra. Quem respondeu o fez de forma voluntária, pela internet. O grupo tem escolaridade elevada (68% com superior completo ou pós-graduação), peso maior de pessoas com 45 anos ou mais e presença relevante de autodeclarados de direita. Os números descrevem esse conjunto de respondentes. Não representam, de forma estatística, o eleitorado taubateano como um todo. Ainda assim, o retrato que emerge é consistente e merecedor de atenção.

prefeito sérgio victor
Foto: Divulgação/PMT

O Panorama geral da Pesquisa

A média das dez áreas avaliadas ficou em 3,53 numa escala de 1 a 10. Nenhuma área passou da nota 5. A Taxa do Lixo e o IPTU concentraram as piores avaliações. Educação e Saúde foram as relativamente menos criticadas, ainda assim abaixo do ponto médio da escala.

Na avaliação direta do mandato do atual prefeito, 64,8% dos respondentes se posicionaram no campo negativo (Péssimo, Ruim ou Regular Negativo). A aprovação agregada — Excelente, Bom e Regular Positivo — ficou em 35,2%. A categoria isolada mais citada foi “Péssimo”, com 48,8% das respostas.

A polarização aparece com força. Quem aprova a gestão dá notas altas na maioria das áreas. Quem reprova concentra notas muito baixas. Ideologia, gênero e faixa etária influenciam claramente o olhar sobre a administração.

Quem avaliou de forma positiva, frisou sobre austeridade, responsabilidade fiscal e compromisso com o pagamento das dívidas. Quem avaliou de forma negativa, focou no abandono dos serviços de limpeza, roçagem, obras e transporte público que não funciona corretamente.

Perfil de quem respondeu

Dos 125 participantes, 36,8% têm entre 45 e 59 anos e 28,8% têm 60 anos ou mais. Juntos, somam quase dois terços da amostra. Jovens de 16 a 34 anos representam 17,6%.

Homens cis e mulheres cis ficaram empatados, com 44% cada. O restante se distribuiu entre quem preferiu não informar o gênero, “outro” e uma respondente mulher trans.

Na escolaridade, o grupo é bastante instruído: 41,6% com superior completo e 26,4% com pós-graduação. Ensino médio completo aparece em 20,8%. Quase não há respondentes com apenas fundamental.

Na autoidentificação ideológica, a direita lidera (31,2%), seguida por quem preferiu não informar (16,8%) e centro-direita (12,8%). Esquerda e centro-esquerda somam, cada uma, 10,4%. Centro aparece com 8,8%. Extremos ideológicos têm participação residual.

Os bairros mais citados foram Centro, Independência e Jardim das Nações, mas a lista ultrapassa 70 localidades diferentes. Há uma grande dispersão geográfica. Entre as profissões, aposentados, professores, profissionais de saúde, estudantes, funcionários públicos e autônomos aparecem com frequência.

obras na av do povo
Foto: Divulgação/PMT

Nota por área de atuação da Prefeitura de Taubaté (Do melhor para o pior)

Educação
Média 4,14 — a mais alta do levantamento. Ainda assim, 42,4% deram notas de 1 a 3 e só 20% ficaram entre 7 e 10. A mediana é 4. É a área em que a gestão encontra relativamente menos rejeição, mas longe de um cenário confortável. Qualidade das escolas municipais, creches e merenda foram os pontos avaliados.

Saúde
Média 3,92. Quase metade dos respondentes (47,2%) classificou como ruim. A nota 1 foi a mais frequente (37,6%). Ao mesmo tempo, 22,4% deram notas boas. O atendimento em postos, UPAs, hospitais e a disponibilidade de remédios e exames dividem opiniões de forma acentuada. Quem aprova a gestão costuma destacar a saúde como ponto positivo; quem critica aponta demora em consultas e exames.

Segurança pública
Média 3,90. 55,2% no campo ruim, mas também a maior proporção de notas boas entre as áreas (26,4%). Sensação de segurança, iluminação, Guarda Civil Municipal, roubos e furtos foram os critérios. Em respostas abertas, alguns mencionam melhorias pontuais na GCM; outros relatam insegurança e falta de presença nas ruas.

Cultura, esporte e lazer
Média 3,82. Mais da metade (53,6%) no campo ruim. Eventos, praças, apoio a artistas e atletas locais foram avaliados. Há quem reconheça iniciativas culturais; a maioria, porém, considera o tema secundário ou mal atendido.

Desenvolvimento comercial e emprego
Média 3,65. 57,6% de avaliações ruins. Estímulo a novas empresas, desburocratização e vagas de trabalho são temas sensíveis. Comentários abertos falam com frequência da dificuldade de atrair investimentos e da percepção de que a cidade não gera emprego suficiente.

Transporte público
Média 3,62. 53,6% no campo ruim. Horários, conservação dos ônibus, preço da tarifa, agilidade e linhas em operação foram os pontos. Queixas sobre início tardio das linhas em alguns bairros e sobre a qualidade da frota aparecem nos relatos.

Meio ambiente
Média 3,53. 56,8% de notas ruins. Coleta de lixo, preservação de áreas verdes, saneamento, políticas de preservação e despoluição de canais e rios. O tema se cruza com a crítica à limpeza urbana e à taxa do lixo.

Infraestrutura
Média 3,22. Uma das piores. 64% das notas entre 1 e 3; mediana 2. Asfalto, calçadas, acessibilidade, drenagem, obras, limpeza e manutenção de espaços públicos concentram insatisfação. “Cidade suja”, “buracos”, “matagal” e alagamentos em dias de chuva forte são expressões recorrentes nas respostas abertas.

IPTU
Média 2,89. 69,6% no campo ruim. Mediana 1. A avaliação dos impostos prediais é claramente negativa na amostra.

Taxa do lixo
Média 2,60 — a pior de todas. 72% de notas entre 1 e 3. Mediana 1. Mesmo entre quem avalia o prefeito de forma positiva, a taxa do lixo permanece como ponto fraco. A cobrança e a percepção de retorno insuficiente aparecem com força nas críticas.

Câmara Municipal de Taubaté
Foto: Divulgação/CMT

Executivo e Legislativo

A atuação dos secretários municipais recebeu média 3,28. 60% das notas ficaram entre 1 e 3. Quando perguntados se algum secretário se destacava, 38,4% disseram explicitamente que nenhum.

A Câmara de Vereadores foi ainda mais criticada: média 3,01, com 66,4% de notas ruins e apenas 9,6% de notas boas. No entanto, quando o tema é destaque individual, alguns nomes surgem com frequência. Isaac do Carmo foi citado por 23,2% dos respondentes — o mais mencionado. Em seguida, Talita Cadeirante (12%), Diego Fonseca (11,2%), Alberto Barreto (7,2%) e Douglas Carbone (6,4%). Cerca de 15% afirmaram que nenhum vereador se destacava. Alberto Barreto aparece tanto em avaliações positivas quanto negativas, frequentemente associado à base de apoio do prefeito.

foto da placa da prefeitura
Foto: Divulgação/PMT

A popularidade da gestão

A pergunta direta sobre o mandato do prefeito produziu este quadro:

  • Péssimo: 48,8%
  • Regular Positivo: 16%
  • Ruim: 13,6%
  • Bom: 12%
  • Excelente: 7,2%
  • Regular Negativo: 2,4%

Somados, os campos negativo e positivo mostram 64,8% de rejeição agregada contra 35,2% de aprovação agregada. Não se trata de um empate técnico nem de uma divisão equilibrada. A reprovação é majoritária nesta amostra.

Nas respostas abertas sobre a “principal marca” da gestão, quem aprova costuma falar em responsabilidade fiscal, austeridade, transparência e esforço para lidar com dívidas e problemas herdados. Quem critica fala em promessas não cumpridas, cidade abandonada, sujeira, buracos, taxa do lixo, desvalorização do servidor público, falta de escuta e percepção de inexperiência ou protecionismo.

A polarização fica evidente quando se separam as médias das áreas entre os dois grupos. Quem avalia o prefeito positivamente atribui notas entre 5,3 e 7,0 nas diversas áreas. Quem avalia negativamente fica entre 1,1 e 2,8. A diferença média por área gira em torno de 4 a 5 pontos. Em outras palavras: a opinião tende a ser global. Quem gosta, gosta de quase tudo. Quem não gosta, rejeita quase tudo.

Ideologia, idade e gênero

A autoidentificação ideológica pesa bastante. Entre quem se declara de direita, a aprovação agregada do prefeito chega a 61,5%. No centro-direita, fica em 50%. Na esquerda, cai para 7,7%. No centro-esquerda, 15,4%. Quem preferiu não informar ideologia também é majoritariamente crítico (19% de aprovação).

Por idade, os jovens de 16 a 24 anos são o grupo mais favorável (78,6% de avaliação positiva), embora com número pequeno de respondentes. A faixa de 35 a 44 anos é a mais crítica (14,3% positivo). Entre 45 anos ou mais, a aprovação oscila em torno de 30% a 33%.

Por gênero, a diferença chama atenção: homens cis avaliam positivamente em 49,1% dos casos; mulheres cis, em 25,5%. A aprovação entre homens é quase o dobro da observada entre mulheres nesta amostra.

Considerações Finais

A pesquisa do portal Inside não substitui um levantamento amostral probabilístico. O formulário online atrai quem tem acesso à internet, disposição para responder e, neste caso, escolaridade acima da média. Há peso de respondentes de direita e de faixas etárias mais altas. Generalizar os percentuais para toda a população de Taubaté seria incorreto.

O que a pesquisa permite é um retrato detalhado da percepção desse grupo de 125 pessoas. E o retrato é de insatisfação majoritária com a gestão, crítica aguda a impostos e infraestrutura, avaliação relativamente menos negativa de educação e saúde, polarização ideológica e de gênero, e reconhecimento concentrado em poucos nomes do Legislativo — com Isaac do Carmo à frente nas menções.

Os dados completos estão disponíveis para consulta e análise. O levantamento não foi desenhado para influenciar eleição. Foi desenhado para ouvir, organizar e publicar o que esse conjunto de taubateanos quis dizer sobre a cidade em que vive.

Os dados estatísticos foram coletados e extraídos do próprio Google Forms. Resultado final organizado e revisado por Danielzinho Araújo e Igor Raphael.

Confira a Pesquisa Completa:

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By Redação Inside

Redação Editorial do Portal Inside