fernando haddad no vale do paraíbaFoto: Ricardo Miguel/CBN Vale
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Em meio ao avanço das articulações para as eleições ao Governo do Estado de São Paulo, o candidato Fernando Haddad (PT) cumpriu uma extensa agenda de compromissos no Vale do Paraíba entre quinta (30) e sexta-feira (31). Acompanhado pela ex-ministra Marina Silva, candidata ao Senado, o petista esteve em São José dos Campos, Taubaté e Lorena. O itinerário foi marcado por discursos duros contra a gestão do atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em frentes estratégicas como segurança pública, atração de empresas, privatizações e educação.

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A passagem da comitiva teve início em Taubaté, onde Haddad realizou uma visita à Universidade de Taubaté (Unitau) para debater o desempenho da instituição no Enade e a necessidade de investimentos no Hospital Municipal Universitário de Taubaté (HMUT). Em Lorena, o foco recaiu sobre a pauta de infraestrutura, com a promessa de articular recursos federais via Novo PAC para estender o projeto do Trem Intercidades (TIC) até a Região Metropolitana do Vale do Paraíba. Em São José dos Campos, o candidato reuniu-se com empresários da Associação das Empresas do Vale do Paraíba (Assecre) e finalizou o dia em um ato com militantes no Clube dos Empregados da Petrobras (CEPE).

Ataques à segurança pública e citação a ex-comandante da PM

Durante entrevista à Rádio Nova Brasil Vale e nos discursos em São José dos Campos, Fernando Haddad explorou a recentes investigações do Ministério Público que atingiram a cúpula da Polícia Militar. O petista citou o afastamento do coronel José Augusto Coutinho do comando-geral da corporação após o oficial ter sido mencionado em uma apuração sobre suposto esquema de segurança privada ilegal para dirigentes da empresa de ônibus Transwolff, investigada por suspeita de ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

A defesa do coronel afirma que a citação na investigação não constitui prova de irregularidade. Contudo, Haddad utilizou o episódio para apontar gravidade na condução da segurança pelo Palácio dos Bandeirantes, sustentando que, se eleito, criará um gabinete institucional integrando a Polícia Federal e a Receita Federal com foco no estrangulamento financeiro do crime organizado.

Promessa de revisão de contratos e fuga de indústrias

Outro ponto central da retórica adotada pelo candidato em São José dos Campos foi o questionamento das privatizações e concessões estruturadas pelo governo Tarcísio. Haddad afirmou abertamente que pretende submeter a um pente-fino os acordos celebrados recentemente, apontando contradições nos serviços prestados aos paulistas.

“Nós vamos ter que fazer a revisão com o Free Flow, a Sabesp e a CPTM. São os três contratos que estão causando mais estranheza.”

Na pauta econômica, o candidato petista responsabilizou o atual governo pela perda de competitividade industrial da região, sustentando que municípios do Vale do Paraíba têm perdido empresas e postos de trabalho para estados vizinhos como Minas Gerais e Paraná devido à falta de incentivos do Executivo paulista. Para fustigar a base eleitoral local, de perfil majoritariamente conservador, o petista rebateu o discurso oficial do governo estadual com uma provocação direta aos eleitores da região.

“Se o eleitor do Vale for conservador, vai votar em mim, porque não está sendo conservado nada.”

Fernando Haddad cumpre agenda no Vale do Paraíba com duras críticas a Tarcísio nas áreas de segurança, privatizações e economia Contribua usando o Google
Igor Raphael Portal Inside

By Igor Raphael

Igor Raphael é jornalista e colunista, atual acadêmico de Direito na UNITAU, com atuação voltada à cobertura política e cotidiana do Vale do Paraíba e Nacional. Desenvolve análises sobre decisões do poder público, bastidores institucionais e comunicação política, aliando apuração factual à leitura crítica do cenário público. Ao longo de sua trajetória, tem se dedicado ao acompanhamento de temas de interesse coletivo, com foco na realidade regional, valorizando a pluralidade de fontes, o debate qualificado e a responsabilidade editorial.