A sessão da Câmara Municipal de Taubaté terminou em clima de forte tensão nesta terça-feira, 14 de julho, após um pronunciamento do vereador Bilili na tribuna e uma resposta contundente do presidente da Casa, Richardson da Padaria (União), antes do encerramento dos trabalhos. O embate público expôs divergências sobre o funcionamento do Legislativo, a relação com o prefeito Sérgio Victor (Novo) e decisões administrativas do município.
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Durante seu discurso, Bilili criticou a atual conjuntura política da Câmara e defendeu que o debate legislativo deveria focar nos problemas estruturais da cidade. O parlamentar citou diretamente o cenário do Hospital Municipal Universitário de Taubaté (HMUT) e fez menção ao ex-prefeito Ortiz Júnior ao falar sobre a gestão de saúde regional e a articulação com o governo federal.
“O Pinda tá pegando dinheiro bastante do PT, com o Geraldo — ele é daqui —, ele pode parcelar a dívida do CAF, ele pode arrumar mais dinheiro, ele pode nos ajudar a consertar a cagada que o Ortiz Júnior fez de devolver o hospital pro Estado”, afirmou o vereador na tribuna.
Na sequência, o parlamentar defendeu o direito constitucional dos vereadores de apresentarem emendas ao orçamento e direcionou críticas contundentes contra supostas negociações de apoio político dentro do plenário da Casa.
“Se não tá a favor, vota contra. […] Aí os beiradinha é líder de prefeito querendo negociar voto do plenário? Plenário da Câmara é para dezenove vereadores”, declarou Bilili.
Apesar das críticas à articulação governista, o vereador fez questão de elogiar publicamente a conduta do líder do governo no Legislativo, vereador Bobi, alertando o prefeito sobre a importância de mantê-lo na função para garantir a governabilidade.
“Prefeito, escuta o que eu vou falar: se a Casa andou mais ou menos nesse primeiro semestre agora, deve ao Bobi. […] Segura o Bobi, prefeito, até pro ano que vem, senão o senhor não vai conseguir tocar essa Casa no terceiro ano”, disse.
Reação da Presidência e Cobrança por Provas
Richardson da Padaria rebateu declarações antes de encerrar os trabalhos.
Logo após o pronunciamento de Bilili, o presidente Richardson da Padaria utilizou a palavra para responder de forma direta às acusações feitas em plenário. O presidente cobrou responsabilidade ética do vereador e exigiu a apresentação de provas concretas que amparassem as falas proferidas na tribuna.
“Você não deu um real para ninguém aqui, você não compra nenhum vereador. Eu quero que você prove as acusações que você falou”, rebateu o presidente da Casa.
Richardson afirmou que seu nome foi citado de forma indevida e destacou que possui família e patrimônio a zelar, ressaltando que as divergências com o Poder Executivo não devem ser transferidas para o plenário de maneira generalizada.
“Se o governo não tá resolvendo seu problema, resolve com o governo. Você não tem que ficar colocando o vereador no meio. Precisa ter respeito pelas pessoas. Já passou do limite”, afirmou Richardson da Padaria.
Classificando as acusações como graves, inclusive as menções a gestões passadas, o presidente do Legislativo alertou sobre o respeito individual entre os pares e encerrou sua manifestação com um tom de desabafo pessoal antes de finalizar a sessão ordinária.
“Você tem que ter responsabilidade com as coisas que você fala, ficar acusando. Não usa o meu nome em vão, que eu não tenho liberdade para você usar o meu nome”, concluiu o presidente, finalizando com: “Que Deus julgue para nós dois isso”.
Até o momento, nenhuma prova foi apresentada publicamente sobre as supostas negociações ou irregularidades mencionadas no plenário. As falas permanecem no campo do debate político e podem gerar desdobramentos regimentais caso ocorram representações formais na Comissão de Ética da Casa.

