Os usuários do transporte coletivo de São José dos Campos, Taubaté, Jacareí e Caçapava enfrentam risco de atrasos nas primeiras viagens na madrugada desta quarta-feira (24). O alerta foi formalizado pelo Sindicato dos Condutores do Vale do Paraíba após a terceira rodada de negociações da campanha salarial com o setor patronal terminar sem acordo na última segunda-feira (22).
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A entidade sindical estabeleceu o prazo limite das 16h desta terça-feira (23) para que as concessionárias de transporte apresentem uma nova proposta de recomposição salarial e de benefícios. Caso nenhum documento avance nas tratativas ou os termos anteriores sejam mantidos, a categoria planeja realizar assembleias e atos informativos diretamente nas portas das garagens das empresas antes do início do primeiro turno de operação.
O sindicato enfatizou que a operação técnica das frotas transcorre de forma regular e sem alterações durante toda a terça-feira. A diretoria da agremiação também esclareceu que não há greve geral decretada, visto que a deflagração de uma paralisação total exige ritos legais prévios, aprovação em assembleia específica e aviso antecipado por se tratar de um serviço público essencial.
Divergência Econômica e Complexidade Territorial
O núcleo do impasse entre os trabalhadores e as empresas concessionárias concentra-se na cláusula de reajuste financeiro dos salários.
A última contraproposta formalizada pelas operadoras, representadas pela associação do setor (Busvale), estipulou um aumento total de 4,20%. O índice é composto pela reposição integral da inflação acumulada, medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que fechou em 4,11%, somada a um ganho real líquido de 0,09%.
A pauta de reivindicações dos trabalhadores estipula a reposição inflacionária acrescida de 6% de aumento real. O pacote de demandas abrange ainda reajustes e melhorias em benefícios indiretos, como o vale-alimentação, a participação nos lucros e resultados (PLR), o fornecimento de cestas básicas, a ampliação das coberturas dos convênios médicos e gratificações diferenciadas para jornadas cumpridas em feriados.
A Busvale solicitou uma dilação de prazo até o fim do dia para tentar estruturar uma nova planilha de custos e formalizar um novo documento. O sindicato apontou que as realidades contratuais e os subsídios financeiros distintos praticados por cada prefeitura geram dificuldades para atingir um acordo unificado. Se o impasse persistir, a entidade avalia cindir as tratativas e abrir negociações específicas por município, embora a prioridade jurídica permaneça na assinatura de uma convenção coletiva regional.

