A Prefeitura de Taubaté oficializou nesta quinta-feira (23) o estado de epidemia de dengue no município, publicando um decreto de emergência que altera profundamente a gestão dos recursos públicos. Na prática, a medida funciona como um salvo-conduto administrativo, permitindo que a Secretaria de Saúde realize contratações de serviços e compra de insumos com dispensa de licitação. A justificativa é a necessidade de “resposta rápida” contra o mosquito Aedes aegypti, mas o decreto revela uma administração que corre atrás do prejuízo para tentar estancar problemas de saneamento e prevenção.
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O custo da falta de planejamento
Com a declaração de emergência, a prefeitura admite que as ações preventivas realizadas até agora não foram suficientes para manter a cidade fora da zona de risco. O decreto permite a entrada forçada em imóveis e a mobilização de todos os setores da prefeitura para limpar a sujeira acumulada nas ruas, uma tarefa que deveria ser rotineira, mas que agora ganha status de urgência. Até o momento, o Controle de Animais Sinantrópicos (CAS) já precisou retirar 70 toneladas de entulho e lixo das ruas, evidenciando falhas graves na zeladoria urbana e no descarte de resíduos no município.
As estratégias de combate agora focam no manejo integrado de vetores e na contratação acelerada de serviços para controle epidemiológico. No entanto, a necessidade de medidas de exceção para comprar o básico levanta dúvidas sobre a capacidade de planejamento da Secretaria de Saúde, que só agora busca priorizar a aquisição de materiais que deveriam estar em estoque desde o início do período de chuvas.
Vacinação patina e expõe descaso
Enquanto a prefeitura agiliza a burocracia para gastar, a proteção real da população segue estagnada. A cobertura vacinal em Taubaté é considerada crítica: menos de 30% das crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos completaram o esquema vacinal com a segunda dose. O dado mostra que, apesar dos decretos e das toneladas de lixo recolhidas, o governo municipal não consegue ser eficiente no convencimento das famílias, deixando o grupo mais vulnerável à mercê do vírus em plena vigência de uma epidemia oficial.

