O cenário da saúde em Taubaté ganhou um capítulo trágico nesta sexta-feira (24) com a confirmação da primeira morte por dengue no município em 2026. A vítima é um idoso de 80 anos, morador do bairro Gurilândia, que faleceu no dia 5 de abril. A confirmação do óbito, que constava em investigação, foi oficializada pelo painel do governo estadual apenas um dia após a prefeitura decretar estado de epidemia na cidade. Agora, além dos 772 casos confirmados, outros cinco óbitos seguem sob investigação, colocando em xeque a eficiência das ações preventivas realizadas até aqui.
Você já faz parte do nosso canal no WhatsApp? Por lá, compartilhamos conteúdos exclusivos, avisos importantes e tudo o que você precisa saber de um jeito rápido e prático.
Vem com a gente: Clique aqui e participe!
Morte no bairro Gurilândia e o peso da omissão
O falecimento de um morador da Gurilândia, um dos bairros mais populosos da cidade, acende um alerta sobre a circulação do vírus em áreas urbanas consolidadas. A confirmação da morte ocorre em um momento de extrema fragilidade política para a Secretaria de Saúde, que viu a cobertura vacinal de segunda dose para crianças e adolescentes estagnar em pífios 28,45%. Com apenas 5.402 jovens plenamente imunizados, a cidade assiste ao vírus avançar sobre os mais vulneráveis enquanto a administração municipal se desdobra em decretos de emergência para facilitar gastos.
No Vale do Paraíba, o cenário também é preocupante: já são 4.196 casos confirmados e cinco mortes distribuídas entre Jacareí, São José dos Campos, Tremembé e, agora, Taubaté. A existência de outros 10 óbitos em investigação na região mostra que o sistema de saúde está sendo testado ao limite, e a resposta da prefeitura tem sido focar na eliminação de criadouros em imóveis, uma tarefa que depende da população, mas que a gestão falha em coordenar com eficácia educacional e preventiva.
Emergência para quem?
Com o decreto de epidemia já em vigor, a prefeitura agora tem carta branca para adquirir insumos e contratar serviços sem licitação. A morte do idoso de 80 anos acaba servindo de combustível para a narrativa de urgência da administração, que justifica a necessidade de medidas administrativas de exceção. No entanto, fica a pergunta: se a prefeitura já sabia da circulação do vírus e da baixa adesão à vacina, por que esperar a confirmação do primeiro óbito e o decreto de epidemia para priorizar a aquisição de materiais e reforço nas equipes de saúde?

