A Vigilância Sanitária de Taubaté determinou a suspensão temporária dos procedimentos cirúrgicos do mutirão de catarata que estavam agendados para ocorrer entre os dias 9 e 30 de julho no Hospital Municipal Universitário de Taubaté (HMUT). A medida cautelar foi adotada nesta sexta-feira (3) após a realização de uma vistoria técnica das equipes de fiscalização, que identificaram falhas operacionais e inconsistências documentais na estrutura de atendimento montada pelo Grupo Chavantes, organização social responsável pela gestão administrativa do hospital.
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De acordo com o relatório técnico do órgão de fiscalização, a suspensão foi motivada pela ausência de laudos que comprovassem a manutenção preventiva e a calibração dos equipamentos oftalmológicos que seriam utilizados nas operações em massa. Os fiscais sanitários também apontaram falhas nos fluxos de triagem, a necessidade de aprimoramento no sistema de identificação segura dos usuários e a falta de garantias quanto ao cumprimento rigoroso dos protocolos de higienização e desinfecção ambiental nos intervalos entre cada atendimento.
As cirurgias e os atos anestésicos de alta rotatividade permanecerão formalmente paralisados até que todas as inconformidades estruturais sejam sanadas pela direção e a documentação retificadora seja submetida à validação da equipe sanitária municipal.
Rompimento de Contrato, Emenda Parlamentar e Guerra de Versões
A interrupção dos procedimentos operatórios aprofundou a crise institucional entre a Prefeitura de Taubaté e o Grupo Chavantes. Na última terça-feira (30), a gestão do prefeito Sérgio Victor (Novo) já havia anunciado oficialmente que não renovará o contrato de gestão com a OS, estipulando o encerramento do vínculo para o dia 1º de agosto. A entidade gestora criticou publicamente a ação da Vigilância Sanitária, classificando a suspensão como um ato de “retaliação política” da administração municipal.
Em nota oficial, o Grupo Chavantes argumentou que a ação ambulatorial, financiada por uma emenda parlamentar no valor de R$ 1,8 milhão, estava programada para beneficiar mais de mil pacientes que aguardam na fila de espera do Sistema Único de Saúde (SUS). A organização ponderou que o HMUT mantém uma média histórica superior a 750 cirurgias mensais sem histórico de interdições e defendeu que a estrutura estava apta a garantir o conforto e a segurança biológica dos usuários.
Por outro lado, a Prefeitura de Taubaté rebateu as acusações e negou que o mutirão tenha sido cancelado de forma definitiva. O Palácio do Bom Conselho esclareceu que a etapa de triagem e as consultas pré-operatórias continuam ocorrendo normalmente nas dependências do hospital. O Executivo enfatizou que as inspeções da Vigilância Sanitária municipal e estadual cumprem exigências legais padrão e reafirmou que as datas das cirurgias serão reorganizadas e executadas assim que os apontamentos técnicos forem integralmente corrigidos pela atual administradora.

