Os servidores públicos municipais de Taubaté deflagraram oficialmente o movimento de greve geral na manhã desta terça-feira (2). Centenas de trabalhadores se concentraram em frente ao Paço Municipal para cobrar avanços na Campanha Salarial 2026. O ato político resultou no fechamento temporário dos portões de entrada da Prefeitura, impactando o atendimento ao público. Os primeiros reflexos na rede municipal de ensino indicam que pelo menos cinco escolas estão sem aulas ou operando de forma parcial devido à adesão do corpo docente.
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Em algumas unidades escolares afetadas, as atividades operam de maneira restrita com o suporte de auxiliares, sem a presença dos professores efetivos. O Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal (Sindserv) informou que as taxas de adesão estão em fase de monitoramento contínuo e devem oscilar nos demais setores ao longo do dia. A Prefeitura de Taubaté confirmou que iniciou um levantamento técnico para consolidar os impactos reais da paralisação nos serviços básicos.
Os trabalhadores justificam a greve apontando o congelamento dos salários pelos últimos dois anos, fator que corrói o poder de compra das famílias. A principal crítica direcionada à contraproposta do Executivo recai sobre o aumento linear do vale-alimentação de R$ 502,50 para R$ 844,56, programado para setembro. De acordo com os representantes sindicais, a medida é insuficiente por não alcançar a categoria de servidores aposentados, que não recebem o benefício da mesma forma que os profissionais da ativa.
As Reivindicações Econômicas e Sociais
A pauta geral da categoria abrange nove itens principais, com foco na defasagem financeira acumulada desde 2025:
- Reposição inflacionária imediata de 9,43%;
- Reajuste do vale-alimentação ativo;
- Criação de auxílio-transporte fixado em R$ 563,04;
- Quitação de licenças-prêmio acumuladas;
- Revisão de alíquotas previdenciárias de aposentados;
- Restabelecimento das bases de cálculo para adicionais de insalubridade e periculosidade.
O sindicato sinalizou que o índice de recomposição da inflação é o ponto prioritário do movimento, abrindo margem para o fatiamento e negociação futura das demais cláusulas sociais.
Posicionamento do Executivo
A administração municipal, sob a gestão do prefeito Sérgio Victor, manteve o posicionamento jurídico de aplicar o desconto financeiro correspondente aos dias não trabalhados por motivo de greve. A medida apoia-se no entendimento fixado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Tema 531. Em nota oficial, a Prefeitura reiterou que as portas das repartições continuam abertas para os servidores que optarem por não aderir à paralisação.
O Executivo alega que o pacote completo de exigências geraria um impacto anual de R$ 200 milhões, cenário considerado inviável devido à dívida consolidada do município, estimada em R$ 1 bilhão. A Prefeitura defende que acolheu integralmente a pauta social do Sindserv e que o impasse atual restringe-se aos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal.

