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A política em Maricá, principal reduto do Partido dos Trabalhadores (PT) no estado do Rio de Janeiro, vive um momento de intensa turbulência. O cenário de união entre as principais lideranças da cidade deu lugar a um racha público após o ex-prefeito Fabiano Horta confirmar sua pré-candidatura ao cargo de deputado federal. A movimentação gerou uma reação imediata e agressiva do atual prefeito, Washington Quaquá, que já possui seus próprios nomes para a disputa na Câmara.

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O conflito de interesses é numérico: com um eleitorado localizado, a cidade dificilmente teria força para eleger três deputados federais pelo mesmo grupo. Quaquá planeja lançar seu filho, Diego Quaquá, atual presidente estadual da legenda, além de Celso Pansera, que preside a Companhia de Desenvolvimento de Maricá (Codemar).

Críticas e acusações públicas

Durante o lançamento de um centro comercial na última sexta-feira (28), evento que não contou com a presença de Fabiano Horta, Quaquá utilizou o microfone para disparar críticas contundentes contra seu sucessor e antigo aliado. O prefeito afirmou que, durante a gestão de Horta, foi afastado das decisões municipais e que projetos sugeridos por ele através de seu filho, então vice-prefeito, foram ignorados.

Além do campo político, Washington Quaquá elevou o tom ao denunciar supostas irregularidades na gestão de programas sociais, como a Moeda Mumbuca. Segundo o atual prefeito, auditorias e visitas domiciliares estariam encontrando beneficiários já falecidos e cadastros com endereços em terrenos baldios, sugerindo uma falta de controle administrativo no governo anterior.

Alvos no entorno de Fabiano Horta

O ex-prefeito não é o único alvo da “artilharia” de Quaquá. O prefeito também direcionou críticas a ex-colaboradores da gestão Horta. Sem citar nomes diretamente, mas fazendo referências claras, Quaquá mencionou um “malandro vindo de Brasília”, em alusão ao ex-secretário de Planejamento Leonardo Alves, que responde a investigações sobre supostos pagamentos de propina nas obras do Hospital Municipal Che Guevara. O prefeito afirmou ter impedido que R$ 2 bilhões do Fundo Soberano de Maricá fossem investidos em uma instituição financeira considerada arriscada.

Outro nome citado indiretamente nas conversas de bastidores e discursos é o de Olavo Noleto, ex-presidente da Codemar na gestão de Fabiano. Noleto, que ocupou cargos estratégicos no governo federal, é cotado para assumir um ministério em Brasília, o que parece ampliar a disputa de influência entre as alas petistas de Maricá.

A divisão expõe uma fragilidade interna no PT fluminense em um ano decisivo para a consolidação de nomes para as próximas eleições. Enquanto Fabiano Horta busca seu espaço no cenário nacional, Quaquá reforça sua autoridade local, deixando claro que a harmonia política na cidade ficou no passado.

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Daniel Araújo Portal Inside

By Daniel Araújo

Daniel Araújo, conhecido como Danielzinho, acompanha e analisa tudo o que acontece na capital e na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, desde o cenário político até as principais notícias do dia a dia.