Mesmo com a chuva persistente que atingiu a capital fluminense nesta terça-feira (20), centenas de fiéis compareceram à Igreja dos Capuchinhos, na Tijuca, para homenagear São Sebastião, padroeiro da cidade. O Santuário Basílica, que guarda marcos históricos da fundação do Rio, como o túmulo de Estácio de Sá, recebeu devotos desde as 6h para missas celebradas de hora em hora.
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Durante a missa solene das 10h, o cardeal-arcebispo Dom Orani João Tempesta destacou a figura do santo como um símbolo de resiliência. Em sua fala, o arcebispo incentivou os cariocas a não desanimarem diante das dificuldades cotidianas, traçando um paralelo entre as perseguições sofridas pelo mártir e os desafios atuais da metrópole. A celebração contou com a presença do prefeito Eduardo Paes e do vice-prefeito Eduardo Cavaliere, que participaram das leituras no altar.
Homenagens e pedidos de proteção
O clima entre os presentes era de intensa devoção. Muitos fiéis vestiam vermelho e carregavam flores, simbolizando o martírio de São Sebastião. Entre os relatos colhidos no local, histórias de superação e promessas reforçaram o vínculo emocional com o padroeiro. Foi o caso de Dona Paula Gomes, de 78 anos, que enfrentou o mau tempo para agradecer pela saúde da família, e do motorista Leonardo Oliveira, que levou a filha pequena para celebrar o que considera um milagre alcançado por intercessão do santo.
A data também evidenciou o sincretismo religioso característico da cultura carioca. No pátio da igreja, o corretor Marcos Vinícius Matos expressou sua fé tanto em São Sebastião quanto em Oxóssi, o orixá das matas celebrado no mesmo dia pelas religiões de matriz africana, como a Umbanda e o Candomblé.
Impacto da chuva e programação
Devido aos transtornos causados pelo temporal, como quedas de árvores e pontos de alagamento, o prefeito Eduardo Paes reforçou o pedido para que a população evitasse deslocamentos desnecessários, sugerindo que as celebrações fossem feitas em paróquias e comércios locais.
A programação oficial seguiu com a tradicional procissão de 5 km em direção à Catedral Metropolitana, no Centro, trajeto que é reconhecido como patrimônio cultural do Rio desde 2014. O encerramento das festividades contou com a encenação do Auto de São Sebastião e uma missa final. Além dos templos religiosos, o dia também foi de festa nas quadras das escolas de samba Portela e Paraíso do Tuiuti, que realizaram alvoradas e almoços em honra ao padroeiro.

