Um grave equívoco de protocolo diplomático ocorrido na sede do Poder Executivo de Ubatuba, no Litoral Norte, desdobrou-se em uma intensa crise política entre a Prefeitura e a Câmara Municipal. Durante a recepção oficial de uma comitiva de autoridades dos municípios alemães de Homberg (Efze) e Wolfhagen, a organização do evento executou uma versão do hino nacional germânico (Deutschlandlied) que contém estrofes associadas ao regime nazista e abolidas no país europeu desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
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O caso, ocorrido no final de outubro, ganhou repercussão após ser levado à tribuna do Poder Legislativo pelo presidente da Câmara, deflagrando cobranças públicas e justificativas da gestão municipal.
A Origem do Erro, a Reação da Comitiva e a Denúncia no Legislativo
A cronologia dos fatos e os bastidores do incidente diplomático envolvem os seguintes pontos:
- O protocolo na Prefeitura: A comitiva germânica esteve no município entre 24 e 30 de outubro para cumprir agenda cultural, ambiental e formalizar a assinatura de um termo de cooperação para intercâmbio educacional. Durante a execução dos hinos institucionais, a sonoplastia do evento executou a primeira estrofe da composição de 1841 da Canção dos Alemães.
- O contexto histórico do hino: A primeira estrofe da composição original, que contém o trecho “Deutschland über alles” (Alemanha acima de tudo), foi apropriada pelo regime totalitário de Adolf Hitler no Terceiro Reich. Com a derrota do nazismo em 1945 e a reconstrução democrática do país, a República Federal da Alemanha baniu a estrofe de cerimônias oficiais e adotou estritamente a terceira estrofe como seu único hino nacional.
- Constrangimento e denúncia na Câmara: O presidente da Câmara de Ubatuba, vereador Gady Gonzalez (MDB), usou a sessão legislativa para denunciar publicamente o ocorrido. De acordo com o parlamentar, a execução da versão banida gerou forte constrangimento e indignação entre os integrantes da delegação alemã, que teriam procurado o Poder Legislativo para relatar o choque com a falha de protocolo.
- Nota de retratação do Executivo: Diante da repercussão inicial, a Prefeitura de Ubatuba reconheceu ter ocorrido um “equívoco pontual” na escolha do arquivo sonoro. A administração informou que apresentou pedidos formais de desculpas e esclarecimentos diretamente aos representantes europeus ainda durante a estadia no município.
Pronunciamento de Flavia Pascoal e Rebatida à Oposição
Com a escalada das críticas nas redes sociais e a associação do episódio a condutas de apologia ideológica, a prefeita Flavia Pascoal (PL) publicou um vídeo oficial para contestar a oposição:
- Argumentação sobre o áudio: A prefeita afirmou que a reprodução da música foi interrompida antes da estrofe polêmica e sustentou que os visitantes não teriam feito reclamações diretas à sua equipe.
- Acusações de exploração política: Flavia rejeitou veementemente as acusações de apologia ao nazismo, classificando as narrativas como “brincadeira” ou tentativa da oposição de enfraquecer o projeto de aproximação internacional da cidade.
- Manutenção da parceria: A gestão municipal assegurou que o incidente não prejudicou o termo de cooperação firmado com as cidades-irmãs alemãs e que as atividades pedagógicas e ambientais conjuntas seguem mantidas.
A Câmara Municipal e setores do Legislativo mantêm a cobrança por esclarecimentos sobre o controle de qualidade dos eventos oficiais do município.

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