Taubaté amanheceu em absoluto caos nesta quarta-feira (21). Os trabalhadores do transporte coletivo da concessionária ABC Transportes paralisaram as atividades logo nas primeiras horas do dia, deixando milhares de passageiros sem opção de locomoção em pontos lotados e no terminal da Rodoviária Velha, no Centro. O motivo imediato da greve foi o não pagamento do adiantamento salarial dos motoristas e cobradores, que deveria ter caído na conta na terça-feira (20).
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Contudo, por trás da falta de depósito aos funcionários, o episódio escancara uma crise estrutural prolongada entre a gestão do prefeito Sérgio Victor (Novo), a concessionária e a qualidade do serviço ofertado à população taubateana, que há tempos convive com frota sucateada, atrasos de linhas e incertezas operacionais.
Falta de Repasse Público versus Gestão da ABC Transportes
A crise do transporte público em Taubaté expõe uma teia de responsabilidades compartilhadas entre o poder concedente e a concessionária privada:
- O atraso do repasse municipal: A Prefeitura de Taubaté confirmou que o repasse de verbas destinado ao adiantamento salarial estava previsto para a terça-feira (20), mas a verba só foi efetivamente liberada e transferida aos cofres da empresa por volta das 8h desta quarta-feira (21). A liberação tardia provocou a reação imediata do Sindicato dos Condutores do Vale do Paraíba, que barrou a saída dos ônibus da garagem na madrugada.
- A omissão inicial do poder público: A gestão do prefeito Sérgio Victor manteve um silêncio institucional de quase seis horas desde o início da paralisação, emitindo posicionamento oficial apenas próximo ao horário do almoço. A administração não esclareceu se haverá remarcação prioritária para os pacientes da rede municipal de saúde que perderam consultas e exames agendados na manhã do movimento.
- A fragilidade da concessionária: A Busvale (Associação das Empresas de Transporte Coletivo do Vale) alegou em nota que a ABC Transportes enfrentava “dificuldades financeiras momentâneas”. O argumento, contudo, é recebido com forte crítica pelos usuários. A concessionária opera sob um aditivo assinado em 2023 que prorrogou o contrato até 2034 e alterou a remuneração de passageiros transportados para quilômetro rodado, modelo que ampliou substancialmente os repasses públicos municipais em 2026, mas não se converteu em estabilidade financeira nem em melhorias na prestação do serviço.
- Medidas jurídicas e retomada: A Prefeitura declarou que a greve ocorreu sem aviso prévio e descumpriu a manutenção da frota mínima para serviços essenciais exigida pela Lei Federal nº 7.783/1989. A Secretaria de Mobilidade Urbana acionou a Procuradoria-Geral do Município para avaliar sanções contratuais contra a ABC. A circulação do sistema começou a ser restabelecida gradualmente ao longo do dia, condicionada à confirmação do crédito nas contas bancárias da categoria.

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