wilson grassi veterinárioFoto: Reprodução
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O médico-veterinário Wilson Grassi Júnior, candidato à Presidência da República pelo partido Democrata, figura como réu em uma Ação Direta por Improbidade Administrativa que investiga um esquema de desvio de verbas públicas no extinto Hospital Público Veterinário de Taubaté. A ação, ajuizada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) em 2025 e mantida sob segredo de Justiça, apura irregularidades na execução do contrato firmado entre a Prefeitura e a Anclivepa (Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais), entidade que geriu a unidade entre maio de 2022 e junho de 2026.

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Desde dezembro de 2025, o candidato, a Anclivepa e outras sete empresas vinculadas a ele e a dirigentes da entidade estão com os bens bloqueados por decisão da 13ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Em sua declaração à Justiça Eleitoral para o pleito de 2026, Grassi informou possuir R$ 50 milhões em patrimônio, volume que representa um crescimento patrimonial de 199.900% em relação aos R$ 25 mil declarados por ele na disputa de 2006.

sede da prefeitura de Taubaté, Bom Conselho
Foto: Divulgação/PMT

Entenda as Apurações: Fraudes, Custos Indiretos e Decisão do TCE

O inquérito do Ministério Público indica que a Anclivepa foi contratada em 2022, durante a gestão do ex-prefeito José Saud (PP), mediante apresentação de cotações de preços simuladas. Das três empresas consultadas para balizar o edital, todas possuíam vinculação direta com Grassi.

  • Esquema e quarteirização: A Promotoria apontou indícios de direcionamento do chamamento público, superfaturamento, remanejamento indevido de verbas e quarteirização ilícita por meio do repasse de verbas públicas a empresas controladas pelo próprio veterinário.
  • Alertas do Coaf e bloqueios: O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) classificou a Anclivepa em patamar de risco máximo para lavagem de dinheiro em razão de transações de alto valor em fundos de previdência privada.
  • Corte de repasses pelo TJ: O Tribunal de Justiça determinou a suspensão do pagamento municipal de R$ 24,5 mil mensais destinados a “custos indiretos” da entidade, apontando falta de amparo econômico nas taxas administrativas.
  • Condenação no Tribunal de Contas: Em agosto de 2026, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) julgou o contrato irregular e ordenou que a Anclivepa devolva R$ 94,9 mil aos cofres públicos municipais devido a divergências de valores entre a fase de cotação e a assinatura do termo.

O Que Dizem os Citados

A defesa de Wilson Grassi Júnior declarou que enfrentará as acusações do Ministério Público e a condenação do TCE por meio de recursos cabíveis, sustentando a absoluta licitude de seus atos e confiando na absolvição após o exercício do contraditório. A Anclivepa não retornou aos contatos da reportagem, mas alegou anteriormente ao TCE que Grassi deixou a entidade em abril de 2022 e que os aditivos contratuais foram validados pela Prefeitura.

O ex-prefeito José Saud informou desconhecer irregularidades operacionais durante sua gestão. A Prefeitura de Taubaté, sob a gestão Sérgio Victor (Novo), comunicou que cumpriu as ordens judiciais de bloqueio de repasses, instaurou apuração administrativa interna e contratou uma nova entidade (o Guaratinguetá Kennel Clube) para gerir a Clínica Veterinária Pública via chamamento supervisionado por técnicos concursados.

prefeito sérgio victor
Foto: Divulgação/PMT

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Candidato à Presidência da República é réu por suspeita de desvios em contrato público em Taubaté Contribua usando o Google
Igor Raphael Portal Inside

By Igor Raphael

Igor Raphael é jornalista e colunista, atual acadêmico de Direito na UNITAU, com atuação voltada à cobertura política e cotidiana do Vale do Paraíba e Nacional. Desenvolve análises sobre decisões do poder público, bastidores institucionais e comunicação política, aliando apuração factual à leitura crítica do cenário público. Ao longo de sua trajetória, tem se dedicado ao acompanhamento de temas de interesse coletivo, com foco na realidade regional, valorizando a pluralidade de fontes, o debate qualificado e a responsabilidade editorial.