O Portal Inside enviou sete perguntas para diversos candidatos a deputado Federal e Estadual que disputam a eleição e que têm base na região do Vale do Paraíba. O objetivo da iniciativa é oferecer um espaço neutro, transparente e sem distinção partidária para que os cidadãos conheçam as opções, ideias e compromissos de cada postulante antes de votarem.
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Nesta edição, apresentamos a Tamires Rodrigues, candidata a deputada Estadual pelo partido MISSÃO.
1. Por que você se candidatou a deputado federal e por que escolheu esse partido?
Recebi o convite da Missão e escolhi pleitear o cargo de deputada estadual, pois entendo que há muito trabalho a ser feito na ponta, nos municípios. Por causa das distorções da nossa República, como o pacto federativo e as emendas concentradas no Legislativo, acredito que os municípios acabam ficando na mendicância de recursos que deveriam estar onde a vida ocorre de fato. Por isso, minhas propostas são no sentido da aplicação prática de mudanças que podem tanto gerar economia no longo prazo quanto atualizar sistemas que há muito tempo já não fazem sentido. Escolhi a Missão, e ela também me escolheu, porque sou da militância há mais de 6 anos. Acredito que o projeto do Livro Amarelo é algo único no nosso país e também ajudei a montar o partido, coordenando as coletas de assinaturas. Vi de perto o trabalho hercúleo de pessoas extremamente capacitadas para tornar tudo isso possível e, quando fui chamada, apenas segui o caminho que me pareceu natural: aceitar a Missão.
2. Quais são suas principais propostas para a região do Vale do Paraíba?
Como meu foco é a melhoria da vida nas cidades, pretendo trabalhar principalmente com aquilo que está mais próximo da realidade das pessoas, com atenção especial à educação primária e à saúde básica. Também acredito no resgate do Vale do Paraíba como a região histórica e logisticamente estratégica que sempre foi. Temos uma localização privilegiada e um potencial que precisa voltar a ser aproveitado para gerar desenvolvimento e melhorar a vida de quem mora aqui.
3. Quais são suas principais propostas para o estado de São Paulo?
Meu foco realmente é o Vale do Paraíba, mas isso não me isenta de trabalhar pelo estado como um todo. Compreendo a magnitude e a complexidade do principal estado da República e penso que a estratégia de focar no Vale do Paraíba não é excludente. Pelo contrário, estou focando inicialmente em melhorar um território cujos problemas, características e potenciais já me são familiares. Assim, conseguimos propor e validar políticas públicas de forma controlada e metrificada, analisando aquilo que funciona e podendo replicar essas experiências em outras cidades que possuam condições similares.
4. Qual é a sua ideologia política?
Liberal experimentalista. Esse é um termo novo, cunhado por um filósofo contemporâneo que esteve no Congresso do MBL e que exprime muito bem o que penso sobre política. Estamos em um momento em que discussões vazias sobre comportamentos e narrativas se tornaram campo fértil para demagogos, que se refestelam em brigas sem sentido enquanto continuam não entregando resultados e custando cada vez mais para a população. Nós queremos restabelecer as prioridades: alfabetização, saúde que funcione para além do marketing e saneamento básico. O simples que funciona. Queremos propor, testar, analisar os dados e concluir se aquilo que foi proposto é viável ou não, sem compromisso com o erro. Se algo não funciona, precisamos reconhecer e mudar. Estamos cansados de andar, andar e não sair do lugar.
5. Conte um pouco sobre você e suas ideias.
Sou taubateana, tenho 35 anos, sou casada e mãe de duas meninas. Morei 8 anos no Japão quando era criança e vi como é digno viver em um país que funciona. E veja, eu era apenas uma gaijin, filha de um decasségui, e consegui vislumbrar dignidade em meio à diversidade. Foi ali que entendi que a ordem das pequenas coisas pode valer mais do que investimentos bilionários feitos sem qualquer critério.
Depois, quando estava no 3º ano de Direito, em 2013, participei de um congresso de advogados que tinha até ministros do STF, à época ilustres togados, e percebi como poucas pessoas, através da política, poderiam afetar a vida de milhões. Fui conversar com um calouro que havia sido vereador para entender como eu poderia começar a fazer alguma coisa na política. Depois daquela conversa, entendi que a esquina seria mais digna, porque é lá que, pelo menos, os termos são mais claros e honestos. E fiquei desacreditada da política.
Continuei observando e, infelizmente, entendendo cada vez mais as incoerências do nosso sistema por conta do conhecimento adquirido no Direito, mas ainda de mãos atadas. Até que comecei a acompanhar um “grupo de desajustados do MBL”, pessoas que, assim como eu, estavam inconformadas com o status quo. Com o tempo, esses desajustados foram se ajustando, estudando e trabalhando até chegarmos a este momento. Hoje temos muito mais do que uma legenda nova. Temos um plano claro, uma missão e, principalmente, pessoas que fazem com que tudo isso seja real.
6. Quais são suas redes sociais e como o público pode fazer para encontrar mais propostas e ideias de sua autoria?
Minha principal rede é o Instagram. Você vai me encontrar procurando por @tamiresrodriguestte.
Como fui “convocada” de última hora, não tinha redes sociais preparadas para isso e, com os cortes que restringem o alcance desse tipo de conteúdo, fica cada vez mais desafiador fazer com que a mensagem chegue às pessoas. Por isso, agradeço pelo espaço e pela oportunidade de apresentar um pouco das nossas ideias e propostas.
7. Considerações finais e seu número de campanha.
Novamente, reitero meu agradecimento pelo espaço. Sei que soa repetitivo, mas realmente é incomum para mim ter esse espaço, fundamental para que mais pessoas possam conhecer nossa Missão. Não existem soluções simples para problemas complexos, mas vou tentar ser concisa sobre aquilo que considero prioridade.
De forma ampla, comprometo-me a trabalhar principalmente pela educação primária e pela saúde básica. Na educação, quero buscar a implementação do método fônico na alfabetização, um tema que já foi abordado por governos anteriores, mas pouco implementado de fato. Ainda lidamos com distorções graves, e ver alunos chegando ao 9º ano como analfabetos funcionais não é algo incomum. Quero também retomar a tabuada, passo basilar para o domínio das quatro operações matemáticas e para a progressão do raciocínio lógico.
Na saúde, quero trabalhar a prevenção em detrimento da medicalização, especialmente quando falamos de doenças crônicas não transmissíveis, as DCNT. E, por fim, quero fazer a ponte entre o Sistema S, com a revisão da grade curricular e sua adaptação às demandas atuais, as grandes empresas e o poder público, para que o Vale do Paraíba volte ao mapa da industrialização de ponta, aproveitando sua geografia estratégica e todo o potencial que a região já possui.
Meu número é 14008, pra um Vale abundante.

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