Plenário da Câmara no dia da votação pelo fim da escala 6x1Foto: Reprodução/O Globo
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O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos de votação nesta quarta-feira, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a jornada de trabalho no Brasil. O texto determina a redução do limite semanal de 44 para 40 horas e abre caminho para a extinção da jornada de seis dias de serviço por um de descanso. A proposta recebeu amplo apoio dos parlamentares, registrando 472 votos favoráveis contra 22 no primeiro turno, e 461 votos a 19 na segunda rodada de votação. Agora, a matéria segue para o Senado Federal, onde precisará do aval de pelo menos 49 senadores, também em dois turnos, para ser promulgada.

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Como vai funcionar a transição para a nova jornada de trabalho

A implementação das novas regras não acontecerá de forma imediata após a aprovação final. O parecer do relator estabeleceu um cronograma gradual de transição com duração máxima de 14 meses para que o mercado se adapte.

A redução das quatro horas semanais será dividida em duas etapas principais:

  • Primeiras duas horas: Corte de carga horária em até dois meses após a promulgação da emenda constitucional.
  • Duas horas restantes: Redução final em até 12 meses após a conclusão da primeira etapa.

Já o fim da escala de trabalho 6×1 entrará em vigor em um prazo mais curto, fixado em 60 dias após a promulgação do texto. A partir desse período, passa a valer a exigência de pelo menos duas folgas por semana, sendo que uma delas deve ser concedida preferencialmente aos domingos. O texto constitucional também vai prever que o funcionário goze de pelo menos um dos dias de descanso dentro do período máximo de uma semana trabalhada.

Hugo Mota - Presidente da Câmara dos deputados no dia da aprovação do fim da escala 6x1
Foto: Reprodução

Tramitação acelerada e os acordos no Congresso Nacional

Antes de chegar ao plenário, a proposta passou por uma comissão especial na Câmara dos Deputados no mesmo dia, sendo aprovada por 34 votos a 4. Os únicos votos contrários na comissão vieram de integrantes dos partidos PL e Novo. Durante a sessão, os deputados rejeitaram um destaque do PL que buscava modificar o tempo de transição para o modelo de cinco dias de trabalho por dois de descanso.

O avanço rápido da pauta teve a participação direta do presidente da Câmara, que convocou sessões extraordinárias para acelerar os prazos de apresentação de emendas. O texto final surgiu do consenso entre duas propostas que tramitavam juntas na Casa. Os projetos originais previam uma redução mais drástica, para 36 horas semanais, mas o acordo político fixou o limite em 40 horas.

Impacto nos contratos atuais e exceções da nova lei

Para garantir o cumprimento da medida, o texto estipula que todas as convenções e acordos coletivos que contrariarem a nova jornada perderão a validade de forma automática 60 dias após a promulgação. Essa regra foi desenhada para incentivar as negociações diretas entre os sindicatos e os representantes das empresas. O período de transição foi o ponto central dos debates recentes, atendendo a pedidos de confederações patronais e empresários por tempo para adequação, após resistência inicial do governo federal.

No entanto, a futura legislação traz uma exceção importante e não terá caráter universal. Estão fora da nova regulamentação os profissionais com diploma de ensino superior que recebem remuneração igual ou superior a duas vezes e meia o teto do INSS, valor que atualmente gira em torno de 21,1 mil reais. Para este grupo de alta renda, não haverá aplicação das regras de limite de jornada ou controle de ponto, uma medida inserida para conter o avanço da prestação de serviços por meio de pessoas jurídicas.

Paralelamente às mudanças legais, analistas do setor econômico apontam que a transformação do mercado de trabalho exigirá debates complementares voltados para o ganho de produtividade no país, o que envolve investimentos em qualificação profissional, inovação tecnológica e melhorias estruturais no ambiente de negócios.

Deputado causa polêmica ao defender tempo para os trabalhadores fazerem sexo

Os debates que antecederam a votação no plenário foram marcados por discursos enfáticos e um momento de grande repercussão. Ao orientar o voto favorável de sua bancada, o deputado Pastor Sargento Isidório chamou a atenção ao defender a proposta argumentando que a redução da jornada é necessária para que os trabalhadores brasileiros possam fazer sexo em paz.

Em sua fala oficial no plenário, o parlamentar afirmou que o modelo atual de escala massacra o trabalhador e comparou a rotina ao regime de escravidão. Segundo ele, com a mudança para a escala de cinco dias de trabalho por dois de descanso, os profissionais terão tempo para melhorar a vida em família e terão tranquilidade inclusive para ter mais filhos, conseguindo manter a vida íntima sem o desgaste extremo causado pela jornada atual.

Deputado causa polêmica ao defender tempo para os trabalhadores fazerem sexo
Foto: Reprodução/Tv Câmara
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Daniel Araújo Portal Inside

By Daniel Araújo

Daniel Araújo, conhecido como Danielzinho, acompanha e analisa tudo o que acontece na capital e na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, desde o cenário político até as principais notícias do dia a dia.