A Polícia Civil concluiu o inquérito que investiga a rede de exploração sexual liderada pelo piloto Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos. O documento, já encaminhado ao Ministério Público, detalha uma série de atrocidades cometidas contra crianças e adolescentes, resultando no indiciamento do suspeito por mais de 100 crimes individualizados por vítima. Entre as acusações estão estupro de vulnerável, produção e compartilhamento de pornografia infantojuvenil, aliciamento de menores e organização criminosa.
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Dinâmica do crime e cooptação de famílias
As investigações, conduzidas em São Paulo pela delegada Luciana Peixoto, revelaram um modus operandi perverso. Sérgio se aproximava de famílias em situação de vulnerabilidade, iniciando relacionamentos amorosos com as mães ou avós das vítimas para ganhar confiança. Posteriormente, ele passava a abusar das crianças, efetuando pagamentos irrisórios, entre R$ 30 e R$ 100, ou custeando despesas básicas como aluguel e remédios para os responsáveis.
O piloto também incentivava que as próprias vítimas, meninas com idades entre 11 e 14 anos, indicassem amigas para a rede de abusos. Em vídeos que circularam nas redes sociais após sua prisão, o próprio suspeito chegou a admitir os crimes e detalhou como preferia as crianças mais novas.
Prisões e demissão da companhia aérea
Sérgio Antônio Lopes era funcionário da Latam desde 1998 e foi detido no dia 9 de fevereiro, no Aeroporto de Congonhas, enquanto se preparava para assumir o comando de um voo com destino ao Rio de Janeiro. A companhia aérea efetuou a demissão por justa causa imediatamente após a confirmação da prisão.
Além do piloto, outras peças chave da rede foram presas, incluindo uma mulher de 55 anos que confessou ter vendido as próprias três netas para os abusos. Uma segunda mulher também foi detida sob acusação de aliciar outras crianças da própria família para fornecer material pornográfico ao grupo.

