A Região Metropolitana do Vale do Paraíba (RMVale) iniciou 2026 consolidando uma posição incômoda que ocupa desde 2010: a de região mais violenta do estado de São Paulo. Dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) nesta terça-feira (31) revelam que, embora os índices venham caindo na comparação histórica, o Vale é a única região paulista que ainda apresenta um quadro de violência endêmica, com taxa acima de 10 homicídios por cada 100 mil habitantes.
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Números alarmantes e comparação estadual
A taxa de homicídios no Vale atingiu 11,10, um número quase três vezes maior que o da capital paulista (4,47) e o dobro da média estadual (5,59). Para se ter uma ideia da gravidade, a segunda região mais violenta, Araçatuba, registra um índice de 8,37. No primeiro bimestre de 2026, o Vale acumulou 44 assassinatos, liderando o ranking absoluto do interior paulista, seguido por Ribeirão Preto (36) e Sorocaba (33).
Apesar de o governo estadual ter conseguido reduzir a taxa regional de 14,59 (em 2022) para os atuais 11,10 — o menor índice da série histórica iniciada em 2001 —, a RMVale continua sendo o maior gargalo da segurança em São Paulo. Dos 10 municípios mais violentos de todo o estado, seis estão localizados no Vale do Paraíba.
A “guerra das facções” no Vale Histórico e Litoral
O principal combustível para esses números é o conflito territorial entre facções criminosas. O Vale do Paraíba tornou-se um corredor estratégico e um campo de batalha entre o PCC (Primeiro Comando da Capital), hegemônico em São Paulo, e grupos oriundos do Rio de Janeiro, como o Comando Vermelho (CV), o Terceiro Comando (TC) e a Amigos dos Amigos (ADA).
O governo reconhece que o Vale sofre com tentativas de “invasão” de facções cariocas. Áreas como o Vale Histórico e o Litoral Norte são os pontos mais sensíveis dessa disputa, onde cada ponto de venda de drogas funciona como uma “trincheira”. Segundo especialistas, cerca de 80% dos homicídios na região estão diretamente ligados a essa guerra pelo controle do tráfico de entorpecentes.

