montagem do ovale pirulito e marcia do pl taubatéFoto: Reprodução/Redes Sociais

A Justiça Eleitoral de Taubaté decidiu, nesta terça-feira (31), rejeitar a ação movida pelo vereador Alberto Barreto (PRD) contra três figuras centrais do PL local: a ex-candidata à prefeitura Marcia Eliza, o candidato a vice em sua chapa, Tenente Beto Mostarda, e o vereador reeleito Moises Pirulito. A denúncia acusava o grupo de utilizar uma rede de 68 perfis falsos para realizar ataques coordenados contra adversários políticos durante as eleições de 2024.

Os argumentos da sentença

Na decisão, o juiz eleitoral João Carlos Germano considerou que as provas apresentadas foram insuficientes para ligar diretamente os políticos à criação ou administração dos perfis mencionados. O magistrado destacou que as postagens analisadas tiveram "baixo envolvimento" — com poucas curtidas e compartilhamentos — e que, em uma cidade com quase 250 mil eleitores, o alcance dessas mensagens não foi capaz de desequilibrar o pleito ou comprometer a normalidade das eleições.

Barreto sustentava que os perfis foram criados simultaneamente em setembro de 2024 e promoviam um "linchamento virtual", acusando-o de infidelidade partidária e pessoal, além de atacarem outros candidatos ao Executivo, como Loreny (Solidariedade), Ortiz Junior (Cidadania) e o atual prefeito Sérgio Victor (Novo). O juiz, porém, entendeu que não ficou comprovada a gravidade necessária para gerar condenações severas, como a inelegibilidade por oito anos ou a cassação do mandato de Pirulito.

Histórico do caso e defesa

A denúncia detalhava que os perfis seguiam e comentavam positivamente apenas nas páginas de Marcia Eliza e Moises Pirulito, o que, para a acusação, indicava uma coordenação direta. Durante o período eleitoral, a Justiça chegou a acionar a Anatel e gigantes da tecnologia (Google e Microsoft) para rastrear os administradores das contas.

Desde o início do processo, o trio do PL negou qualquer envolvimento com as contas fakes. Com a rejeição da ação em primeira instância, os políticos mantêm seus direitos preservados, embora a decisão ainda comporte recurso por parte do autor da denúncia.

By Igor Raphael

Igor Raphael é jornalista e colunista, atual acadêmico de Direito na UNITAU, com atuação voltada à cobertura política e cotidiana do Vale do Paraíba e Nacional. Desenvolve análises sobre decisões do poder público, bastidores institucionais e comunicação política, aliando apuração factual à leitura crítica do cenário público. Ao longo de sua trajetória, tem se dedicado ao acompanhamento de temas de interesse coletivo, com foco na realidade regional, valorizando a pluralidade de fontes, o debate qualificado e a responsabilidade editorial.