A suspensão temporária da cobrança do IPTU 2026, anunciada pelo prefeito Yan Lopes na última quinta feira (26), não foi suficiente para conter a insatisfação popular em Caçapava. Na manhã deste sábado (28), centenas de moradores e lideranças de oposição se reuniram na Praça da Bandeira, no Centro, para protestar contra os valores lançados nos boletos deste ano. O ato, que já vinha sendo articulado pelas redes sociais, serviu como um termômetro da crise política e administrativa que a cidade enfrenta devido ao reajuste do imposto.
Pressão popular e falta de clareza nos cálculos
Os manifestantes levaram faixas com críticas diretas à gestão municipal e questionaram os critérios técnicos utilizados na revisão da Planta Genérica de Valores, aprovada pela Câmara em 2025. Embora a prefeitura tenha recuado e prometido revisar o estudo de 2022 que embasou os aumentos, os contribuintes alegam que os reajustes são abusivos e não condizem com a realidade dos serviços públicos prestados na cidade. A transição para o formato exclusivamente digital do tributo em 2026 também foi alvo de reclamações pela falta de transparência no processo.
A mobilização na praça deixou claro que o anúncio da pausa na cobrança é visto apenas como um primeiro passo. Entre as principais dúvidas que ainda angustiam o morador de Caçapava estão o destino de quem já efetuou o pagamento, o cronograma dos novos vencimentos e como serão retificados os boletos já emitidos. Os organizadores do protesto afirmaram que a pressão continuará até que a prefeitura apresente respostas objetivas e uma revisão efetiva que reduza o impacto no orçamento das famílias.
Cenário de incerteza administrativa
O movimento ganha força em um momento de forte repercussão regional, colocando o governo de Yan Lopes sob intensa vigilância. Até o fechamento desta edição, a prefeitura não havia detalhado os próximos passos práticos após a suspensão. O clima na Praça da Bandeira foi de cobrança por mais diálogo e clareza, sinalizando que a crise do IPTU está longe de um desfecho amigável entre a administração municipal e a população caçapavense.

