O cenário político paulista teve uma movimentação de peso na manhã deste sábado (28). O vice-governador de São Paulo, Felicio Ramuth, oficializou sua saída do PSD para se filiar ao MDB. A decisão encerra um ciclo de quatro anos na legenda de Gilberto Kassab e consolida um novo alinhamento estratégico dentro do grupo político liderado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
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Motivações e desgaste interno
A troca de partido ocorre após meses de discussões internas e um visível desgaste na relação entre Felicio e o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. O ponto central do conflito teria sido a composição da chapa para a reeleição de Tarcísio, onde Kassab demonstrava interesse em ocupar o posto de vice com outro nome da sigla, visando a sucessão de 2030. Ao garantir sua permanência no cargo com o apoio direto do governador, Felicio optou por buscar uma nova “casa” política onde encontrasse maior harmonia.
Em entrevista à rádio CBN, o vice-governador reforçou sua lealdade ao projeto atual: “Eu sou do time Tarcísio. Estarei sempre à disposição do governador. Não tenho apego ao poder”. Nas redes sociais, Felicio apareceu ao lado de caciques do MDB, como o presidente nacional Baleia Rossi, o prefeito da capital Ricardo Nunes e o ex-presidente Michel Temer, destacando a vocação do novo partido para construir consensos e diálogos.
Histórico e trajetória política
Esta é a segunda grande mudança partidária de Felicio Ramuth em quatro anos. Em 2022, quando ainda era prefeito de São José dos Campos, ele deixou o PSDB após quase três décadas de militância para se juntar ao PSD. Naquela ocasião, a mudança visava viabilizar sua candidatura ao governo estadual, projeto que depois foi convertido na vitoriosa aliança como vice de Tarcísio de Freitas.
A chegada de Felicio ao MDB fortalece a legenda dentro do Palácio dos Bandeirantes e equilibra as forças na coalizão que apoia o governo estadual, que já conta com partidos como PL, Republicanos, União Brasil e o próprio PSD (que permanece na base aliada, apesar da troca de legenda do vice). A movimentação é vista por analistas como um passo estratégico para consolidar a influência do MDB no Vale do Paraíba e na região metropolitana de São Paulo.

