Foto de ursinho na frente do computadorFoto: Reprodução/Belicosa Netnografia

O campus da Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá (FEG/Unesp) foi palco de uma manifestação intensa nesta quinta feira (26). Estudantes da instituição se mobilizaram para exigir o afastamento imediato de um professor de 43 anos, condenado pela Justiça Federal pelo armazenamento e distribuição de mais de 7,6 mil arquivos de pornografia infantojuvenil. O caso gera indignação na comunidade acadêmica, principalmente pelo fato de o docente continuar ministrando aulas de forma remota, mesmo após o trânsito em julgado da condenação em fevereiro de 2025.

Detalhes da condenação e monitoramento internacional

A investigação que levou à condenação do professor começou com um alerta do sistema internacional CETS, utilizado para monitorar a exploração de crianças na internet. A perícia identificou que milhares de arquivos foram compartilhados e armazenados em dispositivos do docente, incluindo um computador registrado em nome da própria Unesp. Os crimes ocorreram entre 2014 e 2017, e a sentença definitiva fixou a pena em seis anos e dois meses de reclusão em regime semiaberto.

Apesar da gravidade do crime e da condenação sem possibilidade de novos recursos sobre o mérito, o professor segue no quadro da universidade. Alunos relataram, sob anonimato, que o docente teria feito ameaças durante as aulas on-line contra quem mencionasse o processo. A preocupação dos estudantes é ampliada pela presença de um colégio técnico e de uma creche dentro do campus de Guaratinguetá, o que torna a permanência do profissional considerada inaceitável pelos manifestantes.

Estratégia da defesa e silêncio da universidade

Recentemente, no dia 10 de março de 2026, a defesa do professor protocolou um pedido de avaliação de insanidade mental. Os advogados alegam que ele sofre de transtorno depressivo maior, o que poderia ter comprometido sua capacidade de autodeterminação na época dos fatos. Em depoimentos anteriores, o docente afirmou que baixava os conteúdos como uma "válvula de escape" para o estresse e que deletava materiais de pedofilia que vinham "por engano", tese que já foi rejeitada pela Justiça na sentença condenatória.

Até o momento, a Unesp não se manifestou oficialmente sobre o pedido de afastamento ou sobre a situação funcional do servidor após a condenação definitiva. O espaço segue aberto para o posicionamento da instituição e da defesa do professor. Enquanto as decisões administrativas não avançam, os alunos prometem manter a pressão para garantir a segurança e a integridade do ambiente acadêmico no Vale do Paraíba.

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By Redação Inside

Redação Editorial do Portal Inside