O Fórum Criminal de Taubaté é palco, nesta terça-feira (10), de um dos julgamentos mais aguardados da região. Luiz Felipe da Silva de Moura, de 31 anos, senta no banco dos réus sob a acusação de matar e ocultar o corpo da ex-namorada, Mariana da Costa Nascimento, de 27 anos. O crime, ocorrido em junho de 2025, gerou revolta pela brutalidade e pelo descumprimento de medidas protetivas.
Desde as primeiras horas da manhã, familiares e amigos da vítima ocupam a frente do prédio com cartazes e gritos de "justiça". Mariana havia denunciado Luiz Felipe por perseguição meses antes de ser morta, evidenciando uma tragédia que o sistema de proteção não conseguiu evitar.
O rastro do crime e as versões do réu
A dinâmica do julgamento deve passar pela reconstrução dos últimos passos de Mariana. Desaparecida no dia 8 de junho de 2025 após um encontro com o ex-companheiro, seu corpo só foi localizado dois dias depois, enterrado em uma cacimba na zona rural (bairro Canta Galo).
A acusação sustenta que o crime foi um feminicídio premeditado, enquanto a defesa deve lidar com as contradições do próprio réu:
- Indicação do local: Foi o próprio Luiz Felipe quem levou os investigadores da DEIC até o ponto exato onde o corpo estava enterrado.
- Contradição: Em conversa informal, ele teria admitido o assassinato; porém, no depoimento oficial, mudou a versão, alegando que apenas encontrou Mariana já morta e decidiu enterrar o corpo por medo.
- Provas: Imagens de câmeras de monitoramento e a localização de pertences da vítima às margens do Rio Una foram fundamentais para a prisão preventiva que o mantém detido desde o ano passado.
Roteiro da sessão no Tribunal do Júri
A previsão é que o julgamento se estenda ao longo de todo o dia. O rito processual seguirá as seguintes etapas:
- Oitivas: Serão ouvidas cinco testemunhas (entre policiais que investigaram o caso e familiares).
- Interrogatório: O réu Luiz Felipe será questionado sobre sua versão dos fatos.
- Debates: Ministério Público e defesa apresentam seus argumentos finais.
- Veredito: O conselho de sentença, formado por cidadãos da comunidade, decidirá pela condenação ou absolvição.

