O tabuleiro político do Rio de Janeiro ganhou um novo e importante movimento vindo da Baixada Fluminense. A família Cozzolino, que detém o controle do partido Democracia Cristã (DC) em Magé, decidiu oferecer a legenda para que o ex-governador Anthony Garotinho entre na disputa pelo Palácio Guanabara. A articulação foi inicialmente divulgada pelo blog de Elizeu Pires e, posteriormente, reforçada pela ex-deputada e ex-prefeita de Magé, Núbia Cozzolino, que compartilhou a informação.
Este movimento não é um fato isolado, mas sim uma resposta direta aos recentes arranjos da pré-campanha estadual. A motivação central seria a escolha de Jane Reis para compor a chapa do atual prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD), na corrida pelo governo estadual. Jane é irmã de Washington Reis, ex-prefeito de Duque de Caxias e uma das figuras mais influentes da região.
Rivalidade histórica na Baixada Fluminense
A abertura do DC para Garotinho expõe a profunda e antiga rivalidade entre os clãs Cozzolino e Reis. Arqui-inimigos políticos na Baixada Fluminense, as famílias disputam influência e território há décadas. A aliança entre Eduardo Paes e o grupo de Washington Reis, mesmo antes de ser oficializada em convenção, já gerou ruídos e divisões entre lideranças locais que não aceitam a composição.
Para os Cozzolino, viabilizar uma candidatura de Anthony Garotinho surge como uma estratégia para contra-atacar o avanço dos Reis no cenário estadual. Garotinho, que possui um histórico de votações expressivas na Baixada, volta a ser visto como uma alternativa viável para concentrar o apoio daqueles que ficaram descontentes com o novo desenho político formado por Paes.
O peso da região nas eleições
A Baixada Fluminense é tradicionalmente tratada como um território decisivo para qualquer candidato que pretenda governar o Estado do Rio de Janeiro. Nos bastidores, a possível candidatura de Garotinho pelo Democracia Cristã já deixou de ser apenas uma especulação de corredor e passou a ser discutida por figuras de peso no cenário regional.
O retorno do ex-governador ao cenário de disputa majoritária, com o suporte de uma estrutura política tradicional como a de Magé, promete acirrar ainda mais a polarização entre os grupos políticos que buscam o controle do governo fluminense.

