O cenário político do Rio de Janeiro sofreu uma mudança drástica com o anúncio do fim da parceria entre o pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, e o prefeito Eduardo Paes (PSD). A decisão interrompe um histórico de apoio que durava cerca de 20 anos e que foi fundamental nas vitórias de Paes contra Marcelo Crivella, em 2020, e Alexandre Ramagem, em 2024.
O estopim para o rompimento foi a proximidade do prefeito com o presidente Lula durante os desfiles de Carnaval na Sapucaí. Malafaia criticou abertamente a postura de Paes, especialmente após o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói. A agremiação apresentou o enredo "Neoconservadores em conserva", que trazia componentes fantasiados de latas de conserva com imagens de famílias tradicionais. O pastor classificou a apresentação como um "deboche" ao povo cristão e afirmou que não manterá o "pacto de não-agressão" com quem se alia ao atual presidente.
Mesmo com a nomeação de Jane Reis, que é evangélica, para o cargo de vice-prefeita, Malafaia garantiu que sua posição é definitiva. Ele também minimizou gestos anteriores de lealdade, como quando Paes o defendeu publicamente durante uma operação da Polícia Federal em setembro do ano passado, chegando a declarar no púlpito que "mexeu com Silas Malafaia, mexeu comigo".
Novos rumos e sucessão estadual
Com o afastamento de Eduardo Paes, o líder religioso já começou a sinalizar novos aliados para o futuro político do estado. Entre os nomes citados por Malafaia como possíveis candidatos ao governo do Rio estão o secretário estadual de Cidades, Douglas Ruas (PL), e o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi. Inclusive, o pastor já possui agenda marcada com Ruas para este sábado (21), em Cabo Frio.
No âmbito nacional, Malafaia continua atuando como conselheiro próximo de figuras da direita, mantendo o diálogo sobre a possível candidatura de Tarcísio de Freitas à presidência. Quanto ao atual governador Cláudio Castro, o pastor afirmou que o futuro ainda é incerto, dependendo da decisão de Castro entre renunciar para concorrer a um novo cargo ou permanecer no governo até o fim do mandato.

