Uma nova reviravolta pode mudar o rumo do processo que investiga o escândalo da Ceperj no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O relatório final da Polícia Federal (PF) sobre o vazamento de informações sigilosas, que teriam beneficiado a facção criminosa Comando Vermelho, trouxe à tona novos elementos que podem ser usados no julgamento do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e do presidente afastado da Assembleia Legislativa (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil).
A Retomada do julgamento está marcada para o dia 10 de março. O caso central envolve a Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos (Ceperj), onde há suspeitas de uso indevido de dinheiro público para o pagamento de cabos eleitorais. Se condenados, os políticos podem enfrentar a cassação de seus mandatos e a perda dos direitos políticos, tornando-se inelegíveis.
Novas evidências encontradas pela perícia
As investigações da PF, que fazem parte de um inquérito conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, focam originalmente no vazamento de dados que teriam auxiliado grupos criminosos. Durante as buscas, os agentes periciaram o computador de Rui Bulhões Júnior, então chefe de gabinete de Rodrigo Bacellar. No dispositivo, foram encontradas planilhas detalhadas com solicitações de deputados estaduais por cargos na administração pública fluminense.
O ponto que conecta os dois casos são as anotações específicas com os termos "compensar Ceperj". Para os investigadores, esses documentos sugerem uma continuidade ou uma tentativa de ajuste nas nomeações políticas após o início das denúncias sobre a fundação. Bacellar e o desembargador Macário Judice Neto chegaram a ser presos no final do ano passado em decorrência desta investigação de vazamento de dados.
Próximos passos no tribunal
Toda a documentação colhida pela Polícia Federal já foi encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes e às defesas dos envolvidos. Agora, a expectativa é saber como essas novas provas serão incorporadas ao processo da Ceperj que tramita no TSE.
A acusação busca provar que a estrutura do Estado foi utilizada de forma sistemática para beneficiar aliados políticos durante o período eleitoral. Por outro lado, as defesas dos parlamentares e do governador negam irregularidades e afirmam que as nomeações seguiram critérios administrativos. O resultado do julgamento em março será decisivo para o futuro político do Rio de Janeiro.

