A trégua comercial esperada após a decisão da Suprema Corte americana de derrubar tarifas de importação durou pouco. O governo de Donald Trump reafirmou que as investigações contra o Brasil e a China por supostas práticas comerciais desleais continuam em pleno vigor. O anúncio foi feito pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) logo após o presidente sinalizar que buscará novas vias legais para manter seu "tarifaço".
A investigação contra o Brasil utiliza a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e mira diversos setores brasileiros. O documento cita desde a regulação do Pix e das redes sociais até questões como desmatamento ilegal e práticas de corrupção. Caso o governo americano conclua que o Brasil adota políticas prejudiciais aos interesses dos EUA, novas sanções e tarifas específicas podem ser aplicadas como medida corretiva.
O recado de Trump e o déficit comercial
A menção direta ao Brasil na nota oficial da agência americana é vista como um recado diplomático claro: o país segue no centro da política protecionista da Casa Branca. Trump sustenta que sua agenda busca proteger a indústria e a agricultura americanas, alegando que o déficit comercial disparou em gestões anteriores devido ao enriquecimento de empresas estrangeiras em detrimento das nacionais.
No entanto, a estratégia ainda não surtiu o efeito esperado na balança comercial dos Estados Unidos. Dados recentes mostram que o déficit no comércio exterior bateu recorde em 2025, atingindo a marca histórica de US$ 901,5 bilhões. Mesmo com esse cenário, o governo americano pretende abrir novas apurações e manter tarifas baseadas em segurança nacional (Seção 232) para forçar uma reorientação do sistema global de comércio.

