A corrente de comércio entre o Brasil e a China alcançou a marca histórica de US$ 171 bilhões no ano passado, um crescimento de 8,2% em relação a 2024. O valor representa mais do que o dobro do movimentado com os Estados Unidos, o segundo maior parceiro comercial do país, que fechou o período com US$ 83 bilhões.
Os dados, antecipados pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), mostram que as exportações brasileiras para o mercado chinês somaram US$ 100 bilhões. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo setor de agronegócio, com destaque para a soja, que respondeu por um terço das vendas.
Divergência entre mercados e o efeito das tarifas
Enquanto a relação com a China se fortaleceu, o comércio com os Estados Unidos enfrentou retração. As exportações brasileiras para o mercado americano caíram 6,6%, totalizando US$ 37,72 bilhões. Especialistas apontam que as sobretaxas impostas pela administração Trump sobre produtos brasileiros dificultaram a competitividade de bens da indústria de transformação, que compõem 80% da pauta enviada aos EUA.
Já a pauta com a China é composta majoritariamente por produtos agrícolas e indústria extrativa. No entanto, o Brasil também aumentou as importações de origem chinesa, que atingiram o recorde de US$ 70,9 bilhões, puxadas pela compra de navios-plataforma, fertilizantes, insumos farmacêuticos e veículos elétricos.
Cenário Global
Atualmente, a China concentra 27,2% de todo o comércio exterior brasileiro. Apesar da forte dependência do mercado chinês, o relatório indica que o Brasil tem buscado diversificar seus parceiros, registrando crescimento acelerado nas vendas para países como Argentina (31,4%) e Índia (30,2%).

