O cenário político do Rio de Janeiro entrou em ebulição neste final de semana após uma nota oficial emitida pela executiva estadual do Partido dos Trabalhadores (PT). O documento, assinado pela gestão de Diego Zeidan — filho do prefeito de Maricá, Washington Quaquá —, expôs uma fratura exposta dentro da legenda sobre quem deve liderar o palanque de apoio ao presidente Lula no estado.
A polêmica central gira em torno de dois nomes e dois momentos distintos: a eleição indireta para o "mandato-tampão" do Governo do Estado e a eleição geral de 2026. Com a provável renúncia do governador Cláudio Castro (PL) para disputar o Senado, a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) escolherá um sucessor para comandar o Palácio Guanabara até o fim do período. Um grupo influente do PT deseja que André Ceciliano, atual secretário de Assuntos Parlamentares do governo federal e ex-presidente da Alerj, dispute essa vaga.
A desconfiança sobre Eduardo Paes
O movimento em favor de Ceciliano é liderado por figuras de peso, como a ministra Gleisi Hoffmann e o deputado federal Lindbergh Farias. A motivação principal é a falta de confiança em Eduardo Paes (PSD). Para este grupo, o prefeito do Rio não oferecerá um palanque "fiel" a Lula na campanha eleitoral.
O sinal de alerta acendeu de vez após uma entrevista do vice-prefeito, Eduardo Cavaliere (PSD), ao jornal "O Globo". Na ocasião, Cavaliere defendeu a neutralidade de Paes em relação a Lula para atrair eleitores de direita e criticou posturas do PT na área da segurança pública. Para os defensores da candidatura própria, isso prova que Paes priorizará seu projeto pessoal em detrimento da reeleição do presidente.
A reação da Executiva Estadual e as críticas nas redes
A executiva estadual do PT, no entanto, reagiu de forma dura. Em nota publicada no sábado (10), a direção afirmou que Eduardo Paes é o candidato oficial e desautorizou qualquer movimento interno em favor de Ceciliano. Segundo o texto, a prioridade absoluta é derrotar o bolsonarismo no Rio, e a direção nacional já teria descartado uma candidatura própria para focar na aliança com o PSD.
A reação da militância foi imediata e majoritariamente negativa. Nas redes sociais, a nota foi classificada por muitos seguidores como "autoritária". Em poucas horas, centenas de comentários questionaram a estratégia da direção estadual, apontando que apoiar Ceciliano para o mandato-tampão na Alerj não anularia necessariamente o apoio a Paes no futuro, mas garantiria um nome petista no controle da máquina estadual durante o período de transição.
Agora, a expectativa recai sobre um encontro entre André Ceciliano e o presidente Lula, previsto para os próximos dias. A reunião deve selar se o partido manterá a unidade em torno de Paes ou se cederá à pressão da base para lançar o ex-presidente da Alerj ao governo.

