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O agronegócio brasileiro vive um momento estratégico com a possível consolidação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. O tratado aparece como uma alternativa importante de mercado, especialmente em um cenário onde a China, maior compradora de carne brasileira, começa a implementar restrições e sistemas de cotas.

Especialistas apontam que o interesse europeu vai além do comércio de produtos. Segundo o professor Marcos Jank, do Insper Agro, o bloco busca fortalecer alianças políticas para garantir segurança alimentar e se posicionar frente à influência de potências como Rússia e China. Para o Brasil, o acordo facilita a venda de itens com maior valor agregado para um mercado mais previsível e exigente.

Em números, a relação já é forte. Só em 2025, o Brasil exportou mais de 22 bilhões de dólares para a União Europeia. O café verde lidera as vendas, seguido pela carne bovina, que teve um crescimento de mais de 80% nos embarques para o bloco. Com o acordo oficializado, diversos produtos como açúcar, suco de laranja e carnes devem ter suas tarifas reduzidas ou zeradas, aumentando a competitividade nacional.

Apesar dos benefícios, existem desafios. Produtores europeus, principalmente na França e Itália, resistem ao acordo temendo a concorrência. Para equilibrar a situação, a Europa propôs zerar tarifas sobre fertilizantes e criar "gatilhos" que limitam o crescimento das importações caso elas subam mais de 8% ao ano. Para o setor brasileiro, o caminho agora é transformar as exigências ambientais europeias em uma vantagem competitiva no mercado global.

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By Daniel Araújo

Daniel Araújo, conhecido como Danielzinho, acompanha e analisa tudo o que acontece na capital e na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, desde o cenário político até as principais notícias do dia a dia.