As ligações automáticas indesejadas, conhecidas como robocalls, seguiram como uma das principais queixas dos brasileiros ao longo de 2025. Estimativas apontam que cerca de 10 bilhões desse tipo de chamada são realizadas mensalmente no país, o equivalente a aproximadamente metade de todas as ligações telefônicas feitas no Brasil.
Diante do cenário, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) implementou novas medidas ao longo do ano com o objetivo de reduzir abusos, aumentar a segurança do consumidor e coibir fraudes. Algumas mudanças foram bem recebidas, enquanto outras geraram críticas de entidades de defesa do consumidor.
Selo de verificação para chamadas empresariais
Uma das principais novidades foi a criação de um selo de verificação para chamadas realizadas por grandes empresas, como bancos e call centers que fazem mais de 500 mil ligações por mês. O selo aparece junto ao número do telefone e indica que a chamada foi autenticada, confirmando a identidade de quem está ligando.
A iniciativa busca reduzir golpes como o spoofing — quando criminosos falsificam números — e também minimizar o impacto das robocalls que desligam automaticamente. A autenticação faz parte do projeto “Origem Verificada”, desenvolvido em parceria com operadoras.
O consumidor não precisa contratar nem pagar pelo serviço. A adesão é responsabilidade das empresas que realizam as ligações. No entanto, o recurso depende de compatibilidade técnica: o celular precisa estar conectado às redes 4G ou 5G e ter versões específicas do Android ou iOS.
Ampliação do “Não Me Perturbe”
Outra mudança importante foi a ampliação da plataforma “Não Me Perturbe”. Desde novembro de 2025, todas as operadoras de telecomunicações, inclusive as de pequeno porte, passaram a ser obrigadas a aderir ao sistema.
Com isso, empresas ficam proibidas de oferecer serviços por telefone a consumidores cadastrados na lista. A plataforma passou a funcionar como ferramenta oficial do setor para bloquear ofertas de telefonia, internet, TV por assinatura e produtos financeiros, como empréstimos e cartões de crédito.
Apesar do avanço, especialistas apontam que o cadastro não resolve totalmente o problema, já que empresas irregulares e golpistas continuam ignorando a lista e mantendo o volume elevado de chamadas.
Fim do prefixo 0303 gera críticas
Em contrapartida, uma decisão da Anatel provocou reação negativa de órgãos de defesa do consumidor: o fim da obrigatoriedade do uso do prefixo 0303 nas ligações de telemarketing ativo.
Criado em 2022, o código ajudava o consumidor a identificar chamadas comerciais antes de atender. Segundo a Anatel, o prefixo passou a causar “estigmatização” das ligações, levando muitas pessoas a bloquear automaticamente os números.
Entidades como o Procons Brasil e o Idec criticaram a mudança, afirmando que a retirada do 0303 dificulta a identificação de chamadas indesejadas e pode favorecer tanto o telemarketing abusivo quanto a prática de fraudes.

