A tarde de sol deste sábado (27) na Praia de Copacabana, um dos principais cartões-postais do Rio de Janeiro, foi marcada por um trágico acidente que mobilizou autoridades e equipes de resgate. Um avião monomotor, modelo utilizado para a exibição de faixas publicitárias, caiu no mar na altura do Posto 4, provocando a morte do piloto Luiz Ricardo Leite de Amorim, de 40 anos. O caso agora é alvo de uma investigação minuciosa por parte dos órgãos de segurança aérea e levanta discussões sobre a regularidade de operações publicitárias na orla carioca.
O momento do acidente e o resgate
A aeronave, de matrícula PT-AGB e pertencente à empresa Visual Propaganda Aérea, decolou do Aeroporto de Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio, para cumprir uma rota de exibição de faixa na orla. Por volta das 12h30, o monomotor apresentou dificuldades de sustentação e caiu na água, nas proximidades da Rua Santa Clara. Testemunhas que aproveitavam o dia na praia relataram que o avião afundou em poucos segundos após o impacto com a superfície marítima.
A resposta do Corpo de Bombeiros foi imediata. O quartel de Copacabana foi acionado apenas quatro minutos após a queda, às 12h34. A operação de busca e salvamento contou com uma estrutura robusta, envolvendo mais de 30 militares, motos aquáticas, embarcações infláveis, aeronaves de apoio e uma equipe especializada de mergulhadores. O trabalho de busca estendeu-se por quase três horas, sob o olhar atento de moradores e turistas. Por volta das 15h15, os mergulhadores localizaram o corpo de Luiz Ricardo no interior da fuselagem submersa.
Perfil do piloto e o primeiro dia de trabalho
Um dos detalhes mais impactantes do ocorrido foi revelado pelo subprefeito da Zona Sul, Bernardo Rubião: Luiz Ricardo Leite de Amorim estava em seu primeiro dia de trabalho na Visual Propaganda Aérea. O piloto, que havia completado 40 anos no último dia 25, era o único ocupante da aeronave no momento do acidente. Funcionários do aeroporto de origem confirmaram que o voo transcorria dentro da normalidade operacional até o momento em que a aeronave alcançou a região de Copacabana.
Análise de especialistas e hipóteses técnicas
Vídeos gravados por banhistas tornaram-se peças fundamentais para as primeiras análises sobre o que pode ter causado a queda. De acordo com o especialista em gerenciamento de risco Gerardo Portela, a dinâmica das imagens sugere que o monomotor sofreu uma pane, possivelmente no motor ou no sistema de controle de voo.
Portela explica que, em aeronaves que realizam esse tipo de serviço, a faixa publicitária exerce um arrasto considerável. No caso de uma perda de potência, a primeira medida de segurança do piloto deve ser o descarte imediato da faixa para reduzir a resistência do ar e permitir que o avião plane por mais tempo, aumentando as chances de um pouso forçado controlado (amerissagem). A investigação deverá apontar se o piloto teve tempo hábil para realizar esses procedimentos de emergência antes do impacto.
Investigação oficial e situação administrativa
A Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), já deu início aos trabalhos de perícia. Investigadores do Terceiro Serviço Regional (SERIPA III) foram deslocados para a Praia de Copacabana para realizar a chamada "Ação Inicial". Este processo envolve a preservação de destroços, coleta de dados técnicos, verificação de danos e o levantamento de informações que possam elucidar a sequência de eventos que levou ao sinistro. O objetivo principal não é apontar culpados, mas prevenir que novos acidentes com características semelhantes ocorram.
Paralelamente à investigação técnica, surgiu uma controvérsia administrativa. A Prefeitura do Rio de Janeiro afirmou, por meio de nota, que a empresa Visual Propaganda Aérea não possuía a autorização municipal necessária para realizar aquela campanha publicitária específica na orla. Em contrapartida, a empresa divulgou um comunicado oficial lamentando profundamente a morte de Luiz Ricardo e ressaltando que atua no mercado há mais de 40 anos. A Visual afirmou que a aeronave estava com todas as certificações e manutenções exigidas pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) rigorosamente em dia e que está colaborando integralmente com as autoridades.
Desdobramentos
O corpo do piloto foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para os procedimentos de praxe. Enquanto isso, os destroços da aeronave devem ser retirados do mar para análise técnica detalhada. O acidente levanta um alerta sobre a segurança das operações aéreas em áreas densamente povoadas e a importância da fiscalização rigorosa sobre as autorizações de voos comerciais e publicitários.

