Parlamentares da oposição no Congresso Nacional iniciaram uma nova ofensiva contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O grupo pretende utilizar denúncias de suposta atuação do magistrado junto ao Banco Central, em favor dos interesses do Banco Master, para sustentar pedidos de impeachment e a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).
Diferente de ações anteriores focadas em decisões judiciais, a atual estratégia foca na suspeita do crime de advocacia administrativa. O movimento ganhou força após a divulgação de um contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Registros indicam que Moraes teria se reunido quatro vezes com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em períodos nos quais a instituição financeira enfrentava investigações por irregularidades.
Posicionamentos e estratégias
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) já protocolou um pedido de afastamento e acionou a Procuradoria-Geral da República. Na Câmara, deputados como Marcel van Hattem (Novo-RS) e Kim Kataguiri (União-SP) planejam utilizar o recesso parlamentar para coletar assinaturas e ampliar a pressão popular por meio de abaixo-assinados. Já o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) foca na viabilização de uma CPI para investigar a relação entre o ministro e o banco.
Defesa e esclarecimentos
Em nota oficial, o ministro Alexandre de Moraes negou qualquer irregularidade. Ele afirmou que os encontros com Gabriel Galípolo tiveram como único objetivo discutir as sanções da Lei Magnitsky, impostas a ele pelos Estados Unidos. Moraes ressaltou que reuniões similares foram realizadas com representantes de diversas outras instituições financeiras e entidades de classe. O Banco Central confirmou o teor das reuniões e reiterou que ministros do STF não interferem em supervisão bancária.
Histórico no Senado
Atualmente, Alexandre de Moraes acumula 43 dos 81 pedidos de impeachment contra ministros da Suprema Corte protocolados no Senado desde 2021. Cabe ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), decidir se os processos avançam ou permanecem arquivados. Para a oposição, a natureza criminal das novas suspeitas torna o cenário político mais sensível e difícil de ser ignorado pela presidência do Senado.

