Foto: Igor Raphael/Portal Inside

A política de investimentos em decoração e programação natalina em Taubaté ajuda a ilustrar como decisões administrativas podem influenciar diretamente a dinâmica urbana e econômica da cidade. Em anos recentes, os valores destinados ao Natal variaram, mas o impacto percebido pela população esteve muito mais ligado à estratégia adotada do que ao número absoluto empenhado.

Durante a gestão anterior, sob o comando do ex-prefeito José Saud, o orçamento destinado à decoração natalina ficou na casa dos R$ 221 mil, conforme dados oficiais. Embora o valor representasse economia aos cofres públicos, a iniciativa teve alcance limitado, com baixa integração entre iluminação, eventos e ocupação do Centro. O resultado foi um Natal considerado discreto, que não conseguiu gerar fluxo consistente de pessoas nem fortalecer o comércio central de forma perceptível, sendo frequentemente citado como um gasto mal aproveitado diante do retorno urbano reduzido.

No Natal deste ano, o investimento na casa dos R$ 495 mil resultou em maior visibilidade para o Centro, sobretudo com a combinação entre iluminação, eventos culturais e concentração de atrações em áreas estratégicas. O caso reforça uma constatação já conhecida na gestão urbana: quando bem planejado, o Natal deixa de ser apenas decorativo e passa a funcionar como instrumento de ativação econômica e social.

É nesse contexto que a gestão de 2025, sob o prefeito Sérgio Victor, merece registro. Sem romper com a responsabilidade fiscal, a administração atual demonstra uma leitura mais pragmática do papel dos eventos públicos: usar o espaço urbano como vetor de convivência, circulação e estímulo econômico, especialmente no Centro. A aposta em iluminação mais atrativa, somada à presença de apresentações e atividades culturais, com direito a palco e música, revela uma compreensão de que o investimento público precisa dialogar com o comportamento real da população.

Não se trata de celebrar gastos por si só, mas de reconhecer que a gestão atual parece compreender melhor o equilíbrio entre planejamento, impacto urbano e retorno social. O Natal, nesse cenário, deixa de ser apenas uma despesa simbólica e passa a funcionar como parte de uma estratégia mais ampla de valorização do Centro e de incentivo à vida urbana.

Ao fim, a comparação entre gestões evidencia um ponto central: cidades não se movimentam apenas com números no orçamento, mas com decisões bem direcionadas. E, ao menos nesse aspecto, 2025 indica uma condução mais atenta ao efeito concreto das políticas públicas no cotidiano de Taubaté.

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