O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), por meio do promotor de Justiça Brenno Arruda Sobreira de Siqueira Figueiredo, protocolou um recurso em sentido estrito perante o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) para reverter a liberdade provisória concedida ao bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, de 28 anos. Ele é investigado pelo assassinato a tiros do estudante de Medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, ocorrido na última quarta-feira (30) na Avenida do Povo, em Taubaté.
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O órgão ministerial sustenta que as medidas cautelares impostas pelo Judiciário durante a audiência de custódia são insuficientes diante da gravidade do homicídio doloso qualificado e das circunstâncias que cercam o caso. O recurso será apreciado por desembargadores do TJ-SP.
Histórico de Conflitos e Relatos de Ameaças no Trânsito
Após a morte do universitário, vieram à tona registros policiais anteriores e relatos de moradoras de Taubaté envolvendo o militar em episódios de intimidação no trânsito com arma de fogo:
- Ocorrências arquivadas: Marcos Paulo figurou em boletins de ocorrência nos anos de 2019 e 2021 referentes a discussões de trânsito. No registro de 2021, um condutor relatou que o bombeiro teria sacado uma arma de fogo após o veículo à frente demorar a arrancar no semáforo. Ambos os casos foram arquivados sem oferecimento de denúncia pelo MP-SP.
- Denúncias de moradoras: Uma autônoma da cidade relatou que, em agosto deste ano, foi fechada por um carro preto enquanto transitava de moto elétrica com a filha de 11 anos e, em seguida, teve uma arma apontada pelo investigado, que teria perguntado se ela “queria morrer”. Outras três mulheres apresentaram relatos ao jornal OVALE apontando episódios de agressões e ameaças cometidos pelo militar.
Em nota oficial, o Corpo de Bombeiros manifestou pesar pela morte do estudante e informou que Marcos Paulo não atuava na região do Vale do Paraíba, estando em licença sem vencimentos para tratar de assuntos particulares desde 13 de maio de 2026.
Contraponto da Defesa do Investigado
Representado pelo advogado Claudio Rodrigues Moreira, o investigado contesta os relatos e pede cautela na divulgação do histórico:
- Posicionamento jurídico: A defesa reiterou que procedimentos policiais arquivados não configuram antecedentes criminais nem condenações judiciais.
- Versão dos fatos: Sobre o registro de 2021, a defesa alegou que houve apenas um desentendimento verbal no trânsito e que o cliente sequer desembarcou do veículo, afirmando desconhecer a existência de inquéritos à época. Em relação à morte de Bruno Hashimura, a defesa insiste na tese de legítima defesa sob a alegação de suposta reação a um assalto.
A Polícia Civil de Taubaté prossegue com as diligências, laudos periciais e oitiva de testemunhas para a conclusão do inquérito de homicídio qualificado.

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Comunidade acadêmica e médicos fazem ato em Taubaté para cobrar justiça por Bruno Hashimura

