Uma das maiores polêmicas da reta final do primeiro turno ganhou força após uma falha de apuração em um canal de televisão desencadear uma onda de desinformação nas redes sociais. A controvérsia, que envolve o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o título de Padroeira do Brasil concedido a Nossa Senhora Aparecida, mobilizou desmentidos oficiais, retratação ao vivo e uma intervenção da Justiça Eleitoral.
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A polêmica começou na quinta-feira (24), durante a exibição do programa Em Pauta, da GloboNews. Na ocasião, a jornalista Maria Cristina Fernandes comentou ao vivo sobre uma suposta articulação em curso entre grupos evangélicos e a candidatura de Flávio Bolsonaro para retirar de Nossa Senhora Aparecida a condição de padroeira oficial do país.
A Reação de Flávio, o Pedido de Desculpas e a Raiz em Projeto de 2007
A repercussão do comentário foi imediata. Cortes do programa se espalharam pelas redes sociais, gerando forte reação do eleitorado católico do Vale do Paraíba e de todo o país. Diante do desgaste, os desdobramentos se sucederam em poucas horas:
- Desmentido e acusações: Ainda na quinta-feira (24), Flávio Bolsonaro publicou um vídeo negando veementemente qualquer intenção ou projeto com esse teor, classificando a informação como “fake news” e acusando adversários políticos de tentarem criar uma “guerra religiosa”.
- Retratação ao vivo: Na madrugada de sexta-feira (25), durante a Edição da Meia-Noite, a GloboNews veio a público corrigir a informação incorreta e pedir desculpas aos telespectadores por ter atribuído ao candidato uma articulação inexistente.
- Origem da desinformação: A apuração confirmou que o boato resgatou de forma manipulada o Projeto de Lei 2.623/2007, de autoria do ex-deputado Professor Victório Galli (MT), que pretendia alterar a denominação para “Padroeira dos brasileiros católicos”. O texto foi rejeitado pelas comissões da Câmara e arquivado definitivamente em agosto de 2008, sem qualquer vínculo com Flávio Bolsonaro.
Intervenção do TSE e Remoção em Massa de Publicações
Com a permanência de publicações que continuavam utilizando o trecho para atacar o candidato, mesmo após a retratação do canal, a assessoria jurídica de Flávio acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em caráter de urgência.
Nesta sexta-feira (25), o ministro André Mendonça acolheu a representação e determinou que plataformas digitais como X, Facebook, Instagram, TikTok e YouTube removam imediatamente mais de mil publicações e links idênticos que associem o candidato à perda do título de padroeira por Nossa Senhora Aparecida. A ordem fixou prazo de 48 horas para cumprimento e multa diária de R$ 50 mil em caso de desobediência por parte dos provedores.

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