A Universidade Estadual Paulista (Unesp) oficializou o afastamento de dois professores do campus de São José dos Campos após uma série de denúncias de assédio e violência sexual virem à tona. A decisão foi tomada no âmbito de dois processos de investigação preliminar instaurados pelo Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT), motivados por registros realizados na ouvidoria da instituição desde o final de abril.
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Os docentes ficarão impedidos de realizar atividades acadêmicas por um período inicial de 30 dias. Segundo a universidade, esse prazo pode ser prorrogado dependendo do avanço das apurações internas. A medida ocorre após forte pressão do corpo discente e a repercussão de relatos graves de abuso no ambiente universitário.
Relato de estupro e negligência
Uma das denúncias centrais partiu de Carolina Ferreira, ex-aluna de odontologia de 21 anos. Ela relata ter sido estuprada por um professor no primeiro ano de sua graduação. De acordo com a jovem, o trauma gerado pelo crime a obrigou a trancar o curso. Carolina também denunciou o que chamou de postura negligente da Unesp ao procurar a instituição, afirmando que ouviu que nunca havia ocorrido nada parecido no campus.
A ex-aluna explicou que tentou retornar aos estudos posteriormente, mas as ameaças sofridas inviabilizaram sua permanência na faculdade. Embora existissem provas na época, Carolina afirma que não teve condições emocionais de formalizar a denúncia no momento do crime, restando hoje sua palavra contra a de um profissional de renome.
Mobilização estudantil
A gravidade das acusações motivou protestos simultâneos na última segunda-feira (4). Grupos de estudantes se manifestaram em frente à reitoria da Unesp, na cidade de São Paulo, e também no campus de São José dos Campos para exigir justiça e maior proteção às alunas. Em apoio aos atos, Carolina Ferreira publicou vídeos incentivando a mobilização, que já resultou na identificação de outros possíveis casos de abuso dentro da unidade.
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