A Prefeitura de Taubaté confirmou oficialmente a retirada do livro infantil "Pipoca e Picolé" das unidades da rede municipal de ensino. A obra, escrita por Adriana Lisboa, narra a história do encontro entre uma menina e um cachorro, mencionando que a protagonista possui uma configuração familiar com um pai e duas mães. A decisão de recolher o material gerou polêmica e questionamentos sobre censura e respeito às diretrizes educacionais.
O papel da base governista e o requerimento
A confirmação do recolhimento foi feita pelo prefeito Sérgio Victor (Novo) em resposta a um requerimento dos vereadores de oposição, Isaac do Carmo (PT) e Talita (PSB). O documento questionava declarações feitas na tribuna pela vereadora Zelinda Pastora (PRD), da base aliada, que afirmou ter solicitado pessoalmente ao secretário de Educação, Hélcio Carvalho dos Santos, a retirada da obra após reclamações de mães de alunos.
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"Nós estamos aqui para proteger e defender a inocência das nossas crianças. Não vamos aceitar material como esse na nossa sala de aula", declarou a vereadora durante sessão na Câmara. Segundo ela, o livro já havia sido retirado no ano passado, mas exemplares remanescentes em estoque voltaram a circular em 2026, motivando um novo pedido de recolhimento imediato.
Investimento e justificativa da prefeitura
O material faz parte de um kit pedagógico adquirido em 2024, ainda na gestão do ex-prefeito José Saud (PP). Ao todo, foram comprados 3.280 kits para alunos e 116 para professores, um investimento que totalizou R$ 1,216 milhão.
Em sua defesa, a prefeitura afirmou que o material foi direcionado para uma "análise técnica" da equipe pedagógica da Secretaria de Educação. Segundo a nota oficial, o parecer sobre a continuidade ou não da obra na rede municipal ainda está em fase de elaboração. A administração ressaltou que as ações pedagógicas são orientadas pela BNCC (Base Nacional Comum Curricular), que prevê o respeito à diversidade e a formação cidadã, e que a secretaria possui o setor "Eade – Pertença" para cuidar de questões de inclusão e diversidade.
Reação da oposição
Os vereadores Isaac e Talita classificaram o recolhimento como uma "medida extrema" que deveria ser pautada exclusivamente por critérios legais e técnicos, e não por pressões ideológicas. Eles argumentam que a representação de diferentes arranjos familiares encontra respaldo na Constituição Federal e em princípios de combate à discriminação e dignidade humana, sendo essencial para a educação em direitos humanos.

