A Prefeitura de Taubaté confirmou, na última sexta feira (27), a morte de um menino de 12 anos em decorrência de febre amarela. O óbito ocorreu originalmente no dia 4 de março, mas o diagnóstico definitivo foi estabelecido apenas após exames laboratoriais realizados pelo Instituto Adolfo Lutz. O caso levanta discussões sobre a origem da infecção e os protocolos de atendimento inicial na rede de saúde.
Divergência em diagnósticos e relato da família
Inicialmente, a declaração de óbito do paciente apontava choque séptico derivado de Covid-19, doença que também acometeu outros membros da família na mesma época. No entanto, diante da suspeita da Vigilância Epidemiológica, novos exames foram solicitados e confirmaram o reagente para febre amarela no dia 26 de março. A mãe do jovem relatou em redes sociais que houve demora no diagnóstico durante o atendimento em uma unidade de pronto atendimento, onde os sintomas teriam sido inicialmente associados a dengue ou virose.
O paciente chegou a ser transferido para um hospital em São José dos Campos, onde faleceu. Segundo o relato materno, o menino teria contraído Covid-19 durante o período de internação, o que agravou seu quadro clínico. No registro oficial de óbito agora constam choque hipovolêmico, hemorragia pulmonar e Covid-19, somados à confirmação posterior de febre amarela.
Investigação sobre o local da infecção
A origem da infecção ainda é apurada pelas autoridades sanitárias. A família mencionou ter passado o Carnaval em Redenção da Serra, onde haveria rumores de outro óbito pela doença. Em resposta, a Prefeitura de Redenção da Serra afirmou que não há registros de casos autóctones (contraídos no próprio município) confirmados no período e que qualquer investigação em curso envolve pacientes residentes em outras cidades que estiveram apenas temporariamente no local.
O Governo do Estado de São Paulo, por meio do Centro de Vigilância Epidemiológica, informou que o caso segue em investigação e reiterou que a vacinação é a única forma eficaz de prevenção.
Baixa cobertura vacinal em Taubaté
O episódio acendeu um alerta sobre os índices de imunização na cidade. Com a mudança no modelo de cálculo do governo estadual em 2025 — que agora utiliza dados nominais da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) — a cobertura vacinal de Taubaté aparece em 34,35%, índice muito abaixo do ideal de 95%. A prefeitura esclareceu que o novo método é mais rigoroso e elimina duplicidades, mas reforça a necessidade de buscar as doses.
Como medida imediata, a Secretaria de Saúde intensificou a busca ativa de pessoas não vacinadas nos bairros Bardan e Ana Rosa. A orientação oficial é que todos os moradores que ainda não completaram o esquema vacinal procurem a unidade de saúde mais próxima para atualização da caderneta.

