Milclean taubatéFoto: Reprodução/MilClean

O São Paulo Futebol Clube rompeu oficialmente seu contrato com a empresa Milclean, fundada em Taubaté, e deu início a uma ofensiva judicial cobrando R$ 1 milhão da prestadora de serviços. A rescisão por justa causa ocorreu após uma auditoria interna do clube detectar graves irregularidades na manutenção da sede social, incluindo um volume alarmante de faltas de funcionários que não eram abatidas dos pagamentos mensais.

Auditoria aponta até 1,5 mil faltas mensais sem desconto

O cerne da disputa judicial reside na discrepância entre o que foi contratado e o que foi entregue. Segundo a ação movida pelo Tricolor, a Milclean registrou entre 1,3 mil e 1,5 mil faltas mensais de colaboradores desde setembro de 2024 — um número muito superior à tolerância contratual de 60 ausências. O contrato, assinado no fim de 2024 com validade até 2027, previa o pagamento de R$ 570 mil mensais para a manutenção de 96 funcionários fixos por dia.

Em sua defesa, a Milclean alegou "dificuldades operacionais" e afirmou ter investido quase R$ 400 mil em equipamentos tecnológicos para substituir a mão de obra faltante. No entanto, o São Paulo contesta essa versão, afirmando que tais mudanças não tiveram aval da diretoria e que os aparelhos sequer chegaram a ser utilizados. O clube pede a restituição de R$ 2 milhões por serviços pagos e não recebidos, subtraindo faturas em aberto para chegar ao valor de R$ 1 milhão cobrado na ação.

Conexões políticas e empresariais no Vale do Paraíba

A Milclean possui raízes profundas no esporte e na política da região. A empresa pertence a Otávio Alves Corrêa Filho, atual dirigente do Esporte Clube Taubaté. Além disso, o atual presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Reinaldo Carneiro Bastos — que também já presidiu o clube taubateano —, foi sócio da Milclean até 2021, quando vendeu sua participação por quase R$ 4 milhões.

Atualmente, Reinaldo é alvo de inquéritos que apuram suspeitas de gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro, embora ele negue qualquer vínculo societário atual com a Milclean. A empresa, por sua vez, divulgou nota rebatendo o São Paulo, afirmando que a rescisão ocorreu sem aviso prévio e que os ajustes tecnológicos haviam sido aprovados por diretores anteriores do clube.

Com informações do jornal O Estado de S. Paulo -

By Igor Raphael

Igor Raphael é jornalista e colunista, atual acadêmico de Direito na UNITAU, com atuação voltada à cobertura política e cotidiana do Vale do Paraíba e Nacional. Desenvolve análises sobre decisões do poder público, bastidores institucionais e comunicação política, aliando apuração factual à leitura crítica do cenário público. Ao longo de sua trajetória, tem se dedicado ao acompanhamento de temas de interesse coletivo, com foco na realidade regional, valorizando a pluralidade de fontes, o debate qualificado e a responsabilidade editorial.