Câmara Municipal de TaubatéFoto: Divulgação/CMT

A Câmara de Taubaté confirmou para o dia 29 de abril, às 18h, a realização de uma audiência pública para discutir o dissídio dos servidores da Prefeitura. A definição ocorreu após um acordo entre a base aliada do prefeito Sérgio Victor (Novo) e a oposição, que travavam uma disputa sobre a autoria e a data do debate. Enquanto a base governista aprovou o requerimento nesta terça-feira (24), a oposição cedeu a data que já havia reservado anteriormente para garantir que o tema avance no Legislativo antes da data-base da categoria.

Incerteza marca o reajuste salarial sob gestão Sérgio Victor

O funcionalismo público de Taubaté vive um clima de insegurança, já que a data-base da categoria é em maio e, até o momento, a prefeitura não apresentou nenhuma proposta de reposição inflacionária ou ganho real. O cenário ficou ainda mais tenso após o prefeito editar, na semana passada, um decreto de ajuste fiscal que impõe cortes de gastos e coloca em xeque a viabilidade financeira de qualquer aumento salarial para este ano. Vale lembrar que em 2025, primeiro ano da atual gestão, os servidores já ficaram sem a revisão geral nos vencimentos.

A audiência pública será o primeiro grande embate direto entre o sindicato da categoria e os representantes do governo municipal em 2026. Os servidores alegam perdas acumuladas no poder de compra e cobram que o ajuste fiscal não seja feito "nas costas" do trabalhador público. Por outro lado, a prefeitura justifica que a saúde financeira do município exige cautela extrema para não descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal, o que promete um debate acalorado no plenário da Câmara no final do próximo mês.

O jogo político nas galerias da Câmara de Taubaté

A disputa pelo protagonismo da audiência mostra que o tema do funcionalismo será central nas discussões políticas deste semestre. A base governista, que inicialmente rejeitou o pedido da oposição, acabou cedendo à pressão popular para não carregar o desgaste de barrar o diálogo com os servidores. Agora, a expectativa gira em torno dos números que a Secretaria de Finanças deve apresentar durante a audiência para justificar a possível manutenção do congelamento salarial ou uma proposta de reajuste parcelado.

By Igor Raphael

Igor Raphael é jornalista e colunista, atual acadêmico de Direito na UNITAU, com atuação voltada à cobertura política e cotidiana do Vale do Paraíba e Nacional. Desenvolve análises sobre decisões do poder público, bastidores institucionais e comunicação política, aliando apuração factual à leitura crítica do cenário público. Ao longo de sua trajetória, tem se dedicado ao acompanhamento de temas de interesse coletivo, com foco na realidade regional, valorizando a pluralidade de fontes, o debate qualificado e a responsabilidade editorial.