Foto: Reprodução/TV Vanguarda

A Polícia Civil e a Corregedoria da PM prenderam, na manhã desta quarta-feira (18), o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, natural de Taubaté, pelo feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana. O oficial foi detido em seu apartamento no Jardim Paulista, em São José dos Campos, exatamente um mês após o crime, ocorrido em 18 de fevereiro. A prisão ocorre após laudos da Polícia Técnico-Científica derrubarem a tese inicial de suicídio, apontando que a cena do crime foi alterada para esconder o assassinato.

O inquérito detalha uma série de evidências que comprometem a versão do oficial. A perícia não encontrou vestígios de pólvora nas mãos de Gisele, o que seria impossível em um disparo feito por ela mesma. Além disso, o exame necroscópico revelou lesões no rosto e no pescoço da soldado, sugerindo uma luta corporal antes do tiro à queima-roupa. Manchas de sangue da vítima foram encontradas em diferentes cômodos do imóvel, reforçando a acusação de fraude processual — a tentativa de "limpar" ou modificar o local antes da chegada dos peritos.

O histórico de violência no relacionamento

  • Mensagens de Alerta: Em conversas com uma amiga, Gisele relatou o comportamento possessivo do marido. "Tem que controlar os ciúmes dele. Qualquer hora me mata", escreveu a soldado meses antes de morrer.
  • Relacionamento Abusivo: A mãe da vítima confirmou em depoimento que o tenente-coronel era controlador e violento, mantendo a filha sob constante pressão psicológica.
  • Divergências: Os investigadores notaram contradições graves entre o que Geraldo declarou no dia da morte e o que os laudos técnicos provaram semanas depois.

Natural de Taubaté e com longa trajetória em unidades da PM no Vale do Paraíba, o tenente-coronel estava em licença a pedido quando foi preso. Após o cumprimento do mandado, ele foi conduzido para São Paulo, onde passará por interrogatório e será encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes. A defesa do oficial, que anteriormente sustentava a tese de suicídio, ainda não se manifestou sobre as novas provas periciais que levaram à decretação da prisão preventiva.

Foto: Reprodução/TV Vanguarda

By Igor Raphael

Igor Raphael é jornalista e colunista, atual acadêmico de Direito na UNITAU, com atuação voltada à cobertura política e cotidiana do Vale do Paraíba e Nacional. Desenvolve análises sobre decisões do poder público, bastidores institucionais e comunicação política, aliando apuração factual à leitura crítica do cenário público. Ao longo de sua trajetória, tem se dedicado ao acompanhamento de temas de interesse coletivo, com foco na realidade regional, valorizando a pluralidade de fontes, o debate qualificado e a responsabilidade editorial.