O Carnaval de 2026 na Marquês de Sapucaí será lembrado como um dos mais disputados da década. Com enredos que variaram entre homenagens biográficas, misticismo religioso e crítica social, as doze escolas do Grupo Especial entregaram espetáculos visualmente impactantes. A grande vitoriosa do ano foi a Unidos do Viradouro, que alcançou a pontuação máxima de 270,0 pontos, garantindo o seu quarto título na história da elite do samba carioca.
O Domínio da Campeã e o Pódio
A escola de Niterói, sob o comando do carnavalesco Tarcísio Zanon, levou para a avenida o enredo "Pra Cima, Ciça", uma celebração aos 70 anos de vida de Mestre Ciça, um dos maiores nomes da história das baterias. O desfile foi uma aula de precisão: a bateria "Furacão Vermelho e Branco" realizou convenções complexas que dialogavam com o samba-enredo, enquanto o conjunto alegórico impressionou pelo acabamento e uso de cores vibrantes. A escola não perdeu nenhum décimo, terminando a apuração com a nota máxima em todos os quesitos descartados.
Logo atrás, a Beija-Flor de Nilópolis conquistou o segundo lugar com 269,9 pontos. A agremiação apresentou o enredo "O Bembé do Mercado", sobre a tradicional festa religiosa de Santo Amaro, na Bahia. Foi um desfile de resgate da identidade nilopolitana, com componentes cantando com extrema força. A Unidos de Vila Isabel também somou 269,9 pontos, mas ficou em terceiro lugar devido aos critérios de desempate no quesito Evolução. A escola trouxe uma estética futurista para falar de ancestralidade negra, com carros que utilizavam tecnologia de ponta.
Destaques das Campeãs
Ocupando a quarta posição, o Salgueiro somou 269,7 pontos com uma narrativa lúdica sobre a educação, personificada na figura de uma professora que enfrentava medos folclóricos. A Imperatriz Leopoldinense garantiu o quinto lugar com 269,4 pontos, apresentando um desfile tecnicamente sofisticado sobre a capacidade de transformação cultural do povo brasileiro. Fechando o grupo das que retornam para o Desfile das Campeãs, a Estação Primeira de Mangueira obteve a sexta colocação com 269,2 pontos, emocionando o público com uma homenagem ao Mestre Sacacá e à cultura amazônica.
O Meio da Tabela e as Homenagens
A Unidos da Tijuca e a Acadêmicos do Grande Rio terminaram empatadas com 268,7 pontos, ocupando a sétima e oitava posições, respectivamente. A Tijuca focou na literatura de Carolina Maria de Jesus, enquanto a Grande Rio explorou a biodiversidade dos manguezais. Na nona posição, o Paraíso do Tuiuti alcançou 268,5 pontos com um enredo denso sobre o sistema de Ifá. A Portela, tradicionalíssima, ficou em décimo lugar com 267,9 pontos; apesar de um desfile visualmente bonito sobre a religiosidade do Rio Grande do Sul, a escola enfrentou dificuldades técnicas com seu último carro alegórico, o que custou décimos valiosos.
A Despedida da Estreante e a Ovelha Negra
A Mocidade Independente de Padre Miguel ficou na 11ª posição com 267,4 pontos. A homenagem à cantora Rita Lee foi o momento de maior empolgação das arquibancadas, mas a escola apresentou falhas no acabamento de algumas fantasias e alegorias, o que refletiu nas notas dos jurados.
Por fim, a Acadêmicos de Niterói, que estreava no Grupo Especial com uma homenagem à trajetória do presidente Lula, acabou rebaixada para a Série Ouro. A escola somou 264,6 pontos, sofrendo penalidades severas devido ao atraso no encerramento do desfile e problemas estruturais em seus carros principais, que comprometeram a fluidez da apresentação.

