O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) definiu o cronograma para a retomada de um dos processos mais significativos da política fluminense recente. A presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, pautou para o dia 10 de março a continuidade do julgamento da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que envolve a Fundação Ceperj. A movimentação ocorre após o ministro Antônio Carlos Ferreira devolver os autos do processo no fim da tarde desta quarta-feira (18), após um período de vista.
O caso analisa denúncias do Ministério Público Eleitoral que pedem a cassação do mandato e a inelegibilidade do governador Cláudio Castro (PL). A acusação central sustenta que teria havido um esquema de contratação de milhares de servidores temporários pela fundação estadual com propósitos eleitorais durante a campanha de 2022.
O histórico da votação e o cenário atual
O julgamento estava suspenso desde novembro, quando a relatora do caso, ministra Isabel Gallotti, proferiu seu voto favorável à condenação do governador. Na ocasião, o ministro Antônio Carlos Ferreira solicitou mais tempo para analisar o processo, o que interrompeu a sessão. Com a devolução do material nesta semana, o tribunal volta a se debruçar sobre o mérito da questão.
Nos bastidores da política estadual, o clima entre os aliados do governador é de cautela e preocupação. Embora inicialmente houvesse uma expectativa positiva quanto ao posicionamento do ministro Ferreira, os prognósticos internos mudaram nas últimas semanas. Além disso, interlocutores apontam que as perspectivas em relação à ministra Estela Aranha também não têm sido favoráveis à defesa de Castro.
Composição dos votos e possíveis desdobramentos
Até o momento, as projeções políticas dentro do tribunal indicam um cenário dividido. Espera-se que os ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça apresentem votos favoráveis ao governador, enquanto a tendência da presidente Cármen Lúcia é de um posicionamento contrário à defesa, alinhando-se à relatora.
O desfecho deste julgamento no dia 10 de março é aguardado com atenção, pois pode redefinir o comando do Executivo no estado do Rio de Janeiro. Caso a maioria do plenário siga o voto da relatora pela cassação, o estado poderá enfrentar novas mudanças em sua estrutura política administrativa.

