A recente oficialização da aliança entre o prefeito Eduardo Paes (PSD) e o grupo político liderado pela família Reis trouxe consigo um desafio estratégico: como unir, no mesmo palanque, forças que possuem inclinações opostas na disputa pela Presidência da República. A questão central gira em torno da nova candidata a vice na chapa, Jane Reis, que é irmã de Washington Reis, um dos principais aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro no estado.
Diante do contraste ideológico, Eduardo Paes agiu rapidamente para estabelecer os limites do acordo e evitar ambiguidades. O prefeito reafirmou publicamente que seu compromisso com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva permanece inalterado. Segundo Paes, a decisão de caminhar junto com o MDB de Duque de Caxias não foi tomada sem o conhecimento do Palácio do Planalto.
Diálogo com o Governo Federal
Paes revelou que tratou pessoalmente do assunto com o presidente Lula durante um encontro ocorrido no último domingo, em Jacarepaguá, durante a inauguração de uma unidade hospitalar. Na ocasião, o prefeito informou ao presidente sobre a composição com Washington Reis e a indicação de Jane Reis para a vice-presidência.
De acordo com o relato de Paes, o presidente Lula deu apoio integral à formação da chapa, compreendendo as necessidades das alianças regionais. A estratégia do prefeito para a campanha será separar os temas estaduais dos nacionais, focando o discurso nos problemas e soluções para o Rio de Janeiro e deixando as divergências sobre a presidência para um segundo plano.
Autonomia partidária e foco regional
O tom de pragmatismo também foi adotado por Baleia Rossi, presidente nacional do MDB. Durante o anúncio, ele defendeu a autonomia das instâncias estaduais do partido para construir coligações que façam sentido localmente. Rossi destacou que a legenda preza por uma postura democrática e que a união com o grupo de Paes é vista com grande valor pela executiva nacional.
Para os articuladores da campanha, a mensagem principal é a de que o foco administrativo no estado supera as polarizações federais. Ao traçar essa linha divisória, Paes busca manter o suporte do governo federal enquanto tenta avançar sobre o eleitorado da Baixada Fluminense, reduto histórico da família Reis.

