A cidade de Maricá, tradicional reduto do Partido dos Trabalhadores (PT) no estado do Rio de Janeiro, vive um momento de intensa instabilidade política. O prefeito Washington Quaquá, atualmente em seu terceiro mandato, oficializou a exoneração de mais de 30 servidores comissionados. O movimento atinge diretamente o gabinete do vice-prefeito, João Maurício de Freitas, conhecido como Joãozinho, e aliados do ex-prefeito Fabiano Horta.
As exonerações foram publicadas na edição da última terça-feira (3) do Jornal Oficial de Maricá (JOM). De acordo com o levantamento, mais de 20 nomes estavam lotados na estrutura da vice-prefeitura, enquanto outros dez eram indicações diretas de Fabiano Horta. Joãozinho, que além de vice-prefeito presidiu o diretório estadual do PT até agosto de 2025, agora se vê no centro de uma disputa de forças dentro da própria legenda.
O estopim: a disputa pela Câmara Federal
O clima de tensão, que vinha sendo alimentado nos bastidores, tornou-se público com a definição das pré-candidaturas para as eleições de outubro. O conflito principal gira em torno da vaga para deputado federal. Fabiano Horta confirmou que pretende disputar o cargo, entrando em rota de colisão com os planos de Quaquá, que lançou seu filho, Diego Quaquá, para a mesma posição. Diego, inclusive, foi quem sucedeu Joãozinho na presidência estadual do partido.
A conta política em Maricá é vista como um jogo de soma zero: a avaliação do grupo de Quaquá é que o município não comporta duas candidaturas competitivas para o mesmo cargo federal dentro do mesmo campo político. Enquanto isso, o presidente da Codemar, Celso Pansera, também figura como pré-candidato a federal, mas sua estratégia foca em bases eleitorais na Baixada Fluminense, o que reduz o atrito direto no território maricaense.
Além das canetadas administrativas, a disputa ganhou contornos digitais e retóricos. Washington Quaquá passou a criticar abertamente os oito anos da gestão de seu antecessor, Fabiano Horta, apontando falhas e divergências administrativas em discursos e postagens nas redes sociais.
Uma dessas publicações chamou a atenção por utilizar a imagem de Tony Soprano, o icônico chefe da máfia da série norte-americana "Os Sopranos". A postagem foi interpretada por observadores políticos como uma ironia direta à forma como os grupos internos estariam se organizando na cidade.
Com a prefeitura e a base partidária divididas entre o apoio a Quaquá e a lealdade a Fabiano Horta e Joãozinho, Maricá entra em um período de incertezas. O desfecho dessa queda de braço deve ocorrer apenas nas urnas, quando os eleitores definirão qual ala do partido sairá fortalecida dessa disputa interna.


