Com os ensaios técnicos a pleno vapor na Sapucaí, as escolas de samba do Grupo Especial já deram o pontapé inicial para o espetáculo de 2026. Este ano, a passarela do samba será um palco de profunda diversidade, trazendo desde homenagens a figuras políticas e ícones da música brasileira até o resgate de tradições religiosas africanas e celebrações de grandes mestres da própria folia.
Confira o que cada agremiação preparou para encantar os jurados e o público:
Acadêmicos de Niterói: A trajetória de Lula
Estreando na elite do samba, a azul e branca de Niterói terá a missão de abrir os desfiles com o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. Desenvolvida pelo carnavalesco Tiago Martins e pelo enredista Igor Ricardo, a apresentação utiliza a simbologia do mulungu — árvore resistente do agreste — para narrar a vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A história começa na infância humilde em Pernambuco e percorre sua jornada como operário e líder sindical até alcançar a Presidência da República.
Imperatriz Leopoldinense: O camaleão Ney Matogrosso
A escola de Ramos promete um desfile visualmente impactante com o enredo “Camaleônico”. Sob a batuta de Leandro Vieira, a Imperatriz vai celebrar a multiplicidade de Ney Matogrosso. A proposta é fugir de uma biografia linear e focar nas transformações estéticas e performáticas do artista, relembrando momentos icônicos de sua carreira e sucessos que desafiaram normas, como “Sangue Latino” e “Homem com H”.
Portela: A herança do Príncipe Custódio
A tradicional Majestade do Samba levará para a avenida o enredo “O Mistério do Príncipe do Bará”, assinado por André Rodrigues. A escola contará a história do Príncipe Custódio, uma figura de linhagem real africana que se tornou um líder espiritual e político fundamental no Rio Grande do Sul do século 19. O desfile pretende jogar luz sobre a presença negra no Sul do Brasil e o legado das religiões de matriz africana naquela região.
Estação Primeira de Mangueira: O saber da Amazônia Negra
A Verde e Rosa viaja até o Amapá para homenagear Mestre Sacaca com o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”. Conhecido como o "Doutor da Floresta", Raimundo dos Santos Souza foi um profundo conhecedor das ervas e curas naturais. Além de sua importância para a saúde comunitária, a Mangueira destaca sua faceta festeira: Sacaca foi Rei Momo em Macapá por mais de duas décadas.
Mocidade Independente de Padre Miguel: A liberdade de Rita Lee
A "Pequena Estrela" escolheu homenagear a eterna rainha do rock brasileiro. Com o enredo “Rita Lee, a padroeira da liberdade”, o carnavalesco Renato Lage promete um desfile vanguardista. A escola celebrará a postura transgressora da cantora e sua contribuição para a música e para a liberdade de expressão. Para criar expectativa, réplicas dos famosos óculos vermelhos de Rita foram espalhadas por pontos turísticos do Rio.
Beija-Flor de Nilópolis: O maior candomblé de rua do mundo
Buscando o bicampeonato, a Beija-Flor apresenta o enredo “Bembé”, focado no Bembé do Mercado, uma cerimônia religiosa realizada há mais de 130 anos em Santo Amaro da Purificação, na Bahia. O evento, que celebra a liberdade desde o período pós-abolição, é um Patrimônio Imaterial que reúne dezenas de terreiros em rituais públicos.
Unidos do Viradouro: A força de Mestre Ciça
A escola de Niterói decidiu homenagear uma "prata da casa" e uma lenda viva do Carnaval: seu diretor de bateria. O enredo “Pra Cima, Ciça” celebra os 70 anos de Moacyr da Silva Pinto, o Mestre Ciça. Com 55 desfiles no currículo e responsável pelas famosas "paradinhas" da escola, Ciça terá sua trajetória de inovação rítmica contada na Sapucaí.
Unidos da Tijuca: A voz de Carolina Maria de Jesus
A agremiação do Borel levará a vida da escritora Carolina Maria de Jesus para o Sambódromo. O foco será mostrar a trajetória da autora de "Quarto de Despejo" para além da condição de pobreza, exaltando sua potência intelectual e literária que conquistou o mundo e a transformou em um símbolo de resistência e denúncia social.
Paraíso do Tuiuti: Os caminhos de Ifá
O Tuiuti foi a primeira escola a anunciar seu tema: “Lonã Ifá Lukumi”. O carnavalesco Jack Vasconcelos propõe um mergulho na religiosidade Ifá, explorando suas conexões entre a África, o Caribe e o Brasil. A promessa é de um desfile com sonoridades ricas que misturam o samba com ritmos caribenhos.
Unidos de Vila Isabel: O sonho de Heitor dos Prazeres
A Vila Isabel homenageia o multiartista Heitor dos Prazeres com o enredo “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África”. O desfile abordará o papel fundamental de Heitor na fundação do samba carioca e sua visão da "Pequena África" no Rio de Janeiro, utilizando o "sonho" como o fio condutor da narrativa artística.
Acadêmicos do Grande Rio: Do mangue para o mundo
A escola de Duque de Caxias aposta no movimento Manguebeat e no legado de Chico Science. O enredo explorará a biodiversidade dos manguezais e a efervescência cultural de Pernambuco nos anos 90, fazendo um paralelo com a própria realidade da Baixada Fluminense através da música, da moda e da transformação social.
Acadêmicos do Salgueiro: O delírio de Rosa Magalhães
Encerrando o ciclo de desfiles, o Salgueiro faz um tributo emocionante à carnavalesca Rosa Magalhães, falecida em 2023. O enredo, com um título longo e lúdico sobre a trajetória da "professora", promete reviver a estética barroca e os personagens marcantes que Rosa criou ao longo de sua carreira vitoriosa.

