O diretório municipal do partido Novo, no Rio de Janeiro, enfrenta uma nova baixa em sua estrutura administrativa. Bruno Kazuhiro, que atuava como articulador político da legenda, anunciou sua saída da coordenação política, com previsão de desligamento formal para o dia 31 de janeiro. O movimento acontece em um ano eleitoral estratégico e aprofunda a instabilidade interna iniciada após a saída do vereador Pedro Duarte.
Embora Kazuhiro tenha afirmado em suas redes sociais que a transição será feita de forma profissional, os bastidores indicam divergências ideológicas profundas. Fontes próximas ao articulador apontam que a crescente influência do bolsonarismo dentro da sigla teria sido o estopim para a decisão. Segundo esses relatos, há uma insatisfação com a exigência de alinhamento total às pautas desse grupo, o que tem gerado desconforto em membros que buscam uma linha independente.
Críticas internas também têm sido direcionadas ao atual presidente da legenda, Rodrigo Rezende. Parte dos correligionários o acusa de leniência por não impor limites às alas consideradas mais radicais do partido. Em sua despedida oficial, Kazuhiro mencionou que a maioria das lideranças atuais deseja seguir caminhos institucionais que divergem de suas motivações pessoais e de seu estilo de trabalho, optando por não se tornar um obstáculo aos novos rumos da sigla.
Bruno Kazuhiro possui uma trajetória consolidada na gestão pública fluminense, tendo ocupado secretarias estaduais e municipais, além de ter atuado diretamente com o vereador Cesar Maia. Sua saída é vista com preocupação por estrategistas políticos, que temem um "efeito dominó". Existe o risco de que outros candidatos e filiados sigam o mesmo caminho, o que poderia enfraquecer a nominata do partido para os próximos pleitos e comprometer os planos de expansão do Novo no estado do Rio de Janeiro.

