O cenário político fluminense ganhou novos contornos neste último sábado (17) após uma interação nas redes sociais envolvendo o jornalista Rene Silva, fundador do jornal "Voz das Comunidades", e a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. O ativista utilizou sua conta no X (antigo Twitter) para reforçar a pré-candidatura de Anielle à Câmara dos Deputados, mas o resultado não foi o esperado.
Anielle Franco confirmou no início de janeiro que deixará o comando do Ministério da Igualdade Racial para disputar uma vaga no Legislativo Federal nas eleições de outubro. Ao tentar impulsionar o nome da ministra para seus mais de 300 mil seguidores, Rene Silva lançou a pergunta: “A ministra Anielle Franco virá candidata a deputada federal. Vamos elegê-la?”.

Reação dos usuários e críticas à gestão
Diferente do apoio massivo que costuma acompanhar as publicações do ativista, a postagem foi recebida com uma enxurrada de críticas. Grande parte dos comentários focou no desempenho de Anielle à frente da pasta ministerial. Internautas demonstraram insatisfação com a entrega de políticas públicas e resultados práticos durante seu período no governo federal.
Alguns seguidores chegaram a comparar sua trajetória com a de sua irmã, a vereadora assassinada Marielle Franco, afirmando que a atuação da ministra não atendeu às expectativas geradas no início do mandato. Outros usuários foram mais técnicos, apontando que, mesmo com os recursos e o apoio político disponíveis, o aproveitamento na implementação de pautas de igualdade racial não foi satisfatório.
Tentativa de distensionar o debate
Diante do tom negativo da maioria das respostas, Rene Silva publicou uma nova mensagem cerca de duas horas depois, mudando o foco para si mesmo. Ele questionou se os seguidores votariam nele caso decidisse se candidatar. A estratégia, no entanto, acabou evidenciando ainda mais a resistência ao nome de Anielle, já que o público reagiu de forma consideravelmente mais positiva à hipótese de uma candidatura do próprio jornalista.
Contexto político e polêmicas
Anielle Franco, que se filiou ao PT em 2024, atravessa um período de oscilação em sua popularidade desde o episódio envolvendo o ex-ministro Silvio Almeida. No ano passado, Anielle denunciou ter sido vítima de importunação sexual por parte de Almeida, o que resultou na demissão do então ministro dos Direitos Humanos pelo presidente Lula.
O caso dividiu opiniões dentro da militância e de setores da esquerda, uma vez que Silvio Almeida, intelectual respeitado e presidente do Instituto Luiz Gama, possuía uma base de apoio sólida. A controvérsia gerada pelo episódio e a forma como o processo se desenrolou são apontadas por analistas como fatores que impactaram a imagem pública da ministra junto a uma parcela de seu eleitorado potencial.

